Desporto

Três ‘grandes’ apostam em caras novas

Um chegou ao Benfica com a alcunha de Talisca, outro apresentou-se no Sporting com o rótulo de ‘mini-Messi’ e a última promessa a sair de La Masia, a famosa escola de formação catalã, aceitou ser emprestada ao FC Porto. Anderson Talisca, Ryan Gauld e Cristian Tello são as principais apostas dos três ‘grandes’ para a nova época e as novas estrelas da Liga Portuguesa.

Alto e esguio, Anderson Souza Conceição ganhou a alcunha de Talisca do outro lado do Atlântico, devido à sua estatura e peso. O médio brasileiro, de 20 anos, foi um dos pilares da canarinha na conquista da edição de 2013 do Torneio de Toulon e custou cerca de quatro milhões de euros aos cofres do Benfica – o reforço mais caro dos campeões nacionais até ao momento.

“Podem esperar o melhor de mim porque vim para fazer história neste clube. Quero ajudar o Benfica a ganhar mais troféus”, afirmou o antigo jogador do Bahia à chegada a Portugal. Forte no jogo aéreo e especialista nas bolas paradas, Talisca tem dado boas indicações a Jorge Jesus. E destacou-se na Taça de Honra de Lisboa com o prémio de melhor jogador da prova. 

O médio não teve uma infância fácil. “A minha mãe não tinha condições para me sustentar. Eu vivia à base de farinha de mandioca, pão e sumo. Cheguei a passar fome”, contou ao jornal baiano A Tarde.

Aos 15 anos, o Bahia abriu-lhe as portas dos relvados e cinco anos depois chega a Lisboa com estatuto de internacional sub-20. E não foi a única promessa da canarinha a ter a Luz como destino. 

Em tempos considerado como o sucessor de Neymar, Vitor Andrade, de 18 anos, reforçou a frente de ataque do Benfica a troco de três milhões e meio de euros. Mas o antigo jogador do Santos até já tinha alinhado com a camisola das ‘águias’. “Joguei pela Geração Benfica quando tinha 12 anos, na altura ainda era muito novo, vim sozinho para cá e chorava todas as noites”, explicou o avançado.

O ‘mini-Messi’ escocês

Do outro lado da Segunda Circular, Ryan Gauld perfila-se como o reforço mais promissor e apresenta-se em Alvalade com um cartão-de-visita do agrado dos adeptos: esquerdino, rápido, criativo e dotado tecnicamente – características que o levaram a ser apelidado de ‘mini-Messi’ no país natal. Uma comparação que obrigou o Sporting a um esforço financeiro para resgatar o escocês ao Dundee United (3,75 milhões).

Gauld, com 18 anos, foi uma das figuras do Dundee na última edição da Premiership escocesa, onde apontou seis golos em 31 jogos. A estreia em partidas oficiais deu-se ainda em tenra idade (16 anos) e no currículo conta já com uma internacionalização nos sub-21.

Com presenças regulares nas selecções jovens da Bulgária, Simeon Slavchev é outro diamante para Marco Silva lapidar. Considerado o melhor jogador jovem do campeonato búlgaro, o médio revelou ter uma veia goleadora apurada: somou 14 golos em 35 jogos. Aos 20 anos era já a referência do Litex e custou ao Sporting 2,5 milhões de euros. 

O meio campo leonino foi ainda reforçado com a chegada do espanhol Oriol Rosell (21 anos), que previne uma eventual saída de William Carvalho, muito cobiçado no mercado. Formado no Barcelona antes de rumar aos Estados Unidos, onde representou o Kansas City, Rosell é visto como uma aposta de futuro.

Selo de qualidade catalão

Cristian Tello é o último talento fabricado pela La Masia  – que formou jogadores como Messi, Xavi e Iniesta – e a contratação mais sonante dos ‘azuis e brancos’, a par de Adrián López. Sem espaço na equipa catalã, Tello (22 anos) aceitou o convite do técnico Julen Lopetegui, que o orientou nas camadas jovens da selecção espanhola.

Define-se como um extremo “rápido, habilidoso e bom no um contra um” e espera “consolidar-se como jogador” de ‘dragão’ ao peito. Um sentimento partilhado pelo internacional espanhol Adrián López, que aos 26 anos se transferiu do Atlético de Madrid para a Invicta por 11 milhões de euros.

O avançado nunca foi primeira opção para Simeone nos colchoneros, mas tornou-se fundamental na conquista da Liga espanhola e na caminhada até à final da Champions. Outra referência no plantel às ordens de Lopetegui é o central Bruno Martins Indi, que alinhava no Feyenoord. O internacional holandês, nascido no Barreiro, tem entrada directa na defesa dos ‘dragões’ e apresentou-se no Olival com a medalha de bronze do Mundial na bagagem.

hugo.alegre@sol.pt