Tecnologia

Site de encontros também faz experiências com utilizadores

O OK Cupid, um dos maiores sites de encontros amorosos do mundo, divulgou esta terça-feira que também fez ‘experiências’ com os utilizadores. Tal como o Facebook, que enfrenta processos legais por ter utilizado perfis – chegando a manipulá-los – de quase 700 mil utilizadores para estudar o ‘contágio emocional’ proporcionado pelas visitas àquela rede social, a rede que promove compatibilidades amorosas através de algoritmos também andou a mexericar nos dados dos seus frequentadores sem autorização dos mesmos.

Mas, ao contrário dos responsáveis do Facebook, o presidente da Ok Cupid não se deu por vencido. Em comunicado, citado pelo diário The New York Times, Christian Rudder justificou, convicto, as experimentações, lembrando que a net é, antes de tudo, um depósito de gestão e de marketing: “Verificámos recentemente que as pessoas não gostaram que o Facebook tivesse feito ‘experiências’ com os seus feeds de notícias. Mas adivinhem: se usarem a internet, estão sujeitos a centenas de experiências a qualquer momento e em qualquer site. É assim que funcionam os websites”.

A questão do consentimento dos utilizadores não se põe neste caso – como noutros – segundo Rudder, porque eles aceitaram uma lista de termos e compromissos para serem membros do Ok Cupid, algo que, de resto, pouca gente se dá ao trabalho de ler na íntegra.

O site, que tem actualmente entre três e quatro milhões de utilizadores activos, é dos mais procurados para os encontros sentimentais. A experiência serviu para confirmar duas conclusões que pareceriam óbvias à partida: que os utilizadores sentem-se mais atraídos uns pelos outros quando o site lhes indica que são compatíveis e que a utilização de fotos aumenta a eficácia da possibilidade de haver encontros.

Em 2010 o Ok Cupid foi protagonista de outra polémica, a de que os seus administradores estariam a separar perfis que consideravam mais atraentes, dando-lhes privilégios acrescidos em relação aos outros. O site, entretanto, abandonou essa política.   

ricardo.nabais@sol.pt