Desporto

Ferrari em crise e sem andamento

A dez voltas do final do Grande Prémio da Hungria, Fernando Alonso era líder e discutia com a Ferrari a possibilidade de parar nas boxes. Continuou em frente. Aguentou 35 voltas com o mesmo conjunto de pneus, mas a três do fim não resistiu e foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Red Bull-Renault). 

Acabou a corrida no segundo lugar do pódio, atrás do australiano. Ainda assim, conquistou o melhor resultado da Ferrari esta temporada. “Foi uma decisão difícil, mas fizemos a escolha certa: ficámos na pista, defendemos a nossa posição e garantimos o segundo lugar, que tem gosto de vitória”, comentou o espanhol, que liderou por 13 voltas até os pneus cederem. O colega de equipa, o finlandês Kimi Raikkonen, não foi além de um sexto lugar na corrida de domingo.

A oito provas do fim do calendário mundial de Fórmula 1, a scuderia italiana não venceu qualquer corrida e com apenas duas presenças no pódio, ambas pelo volante de Alonso, tem o pé no acelerador para a pior temporada dos últimos 20 anos - é preciso recuar até 1993 para encontrar uma época inteira de jejum. E o último triunfo data de 2013, em Espanha. São já 24 corridas sem festejar, a coroar uma época decepcionante.

Luca di Montezemolo, o presidente da Ferrari, aponta o dedo ao formato actual da prova rainha do automobilismo para justificar o fracasso. “As regras são muito complicadas e os pilotos tornaram-se condutores de táxi. Devem poupar combustível e pneus em vez de serem rápidos” explicou à revista alemã Focus, lamentando-se: “Antes ganhava o melhor piloto”.

Certo é que a Mercedes ainda não pisou o travão: lidera o Mundial de Construtores (174 pontos de avanço para a Red Bull e 251 para a Ferrari) e o ranking de pilotos (Rosberg é líder e Hamilton ocupa o segundo lugar, isolados da concorrência).

hugo.alegre@sol.pt