Sociedade

João Gouveia falou sobre a noite trágica do Meco

Seis meses depois da tragédia do Meco que tirou a vida a seis estudantes, o ex-dux da Universidade Lusófona contou à revista Sábado a sua versão dos acontecimentos.


Arquivado o processo que o iliba de qualquer crime, Gouveia diz que o que mais lhe custou foi ver os seus colegas “expostos”. “Sem estarem cá para se defenderem”, disse, numa entrevista publicada esta quinta-feira.

Desde aquela noite na praia do Meco, de 15 de Dezembro de 2013, que Gouveia não falava publicamente. Nesta quinta-feira, o estudante de Engenharia Informática diz ainda não perceber por que foi o único sobrevivente.

“Já falei com especialistas, uns disseram que [ter sobrevivido] foi por eu ter feito bodyboard, outros consideram que o facto de ter tentado salvar a Pocahontas [Carina Sanchez] fez com que a minha cabeça se libertasse do pânico de me salvar a mim (…) Estava praticamente a desistir, de repente fui puxado pelo mar”, relata.

Minutos antes estavam juntos, sentados à beira-mar.

“Estávamos todos sentados em género de meia lua, a conversar uns com os outros eu e o Tiago tínhamos acabado de nos levantar”, conta sobre os momentos que antecederam a onda que arrastou o grupo para o mar.

Estavam todos trajados. “Porque estava frio”. "Há quem defenda que ter conseguido libertar-me da capa foi decisivo. Não sei explicar. Com o turbilhão e com a cabeça, o corpo contra a areia, não sei..."

A única chamada que fez foi para o 112.

"Os agentes da Polícia Marítima devem ter chegado 20 ou 30 minutos depois. A mim pareceu-me mais, claro, estava a vomitar. (…) Quando me encontraram, expliquei-lhes que tínhamos sido arrastados e apontei-lhes onde tudo tinha acontecido”. 

"Na prática, andei estes meses todos a explicar por que é que sobrevivi", desabafa.

Conta que recebeu ameaças nos dias seguintes ao acidente – ele a família. E foi aconselhado pela psicóloga a não ir à praia ou aos funerais dos amigos.

João Gouveia diz ainda que o fim-de-semana servia era preparar os eventos do COPA (organização das praxes).

A seguir ao acidente fechou-se em casa da irmã. E que foi buscar forças para limpar a imagem que a comunicação social estava a construir dos amigos tragados no Meco. “Eram pessoas sérias e responsáveis”.

SOL

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