Sudoeste: A música permanece ‘obviamente’ no centro do Festival

O festival Sudoeste cumpre 18 anos num recinto irreconhecível face às primeiras edições, incluindo uma roda gigante, vários palcos e postos de carregamento de baterias, mas a música continua a ser “obviamente” o principal atractivo para os participantes.

Sudoeste: A música permanece ‘obviamente’ no centro do Festival

Depois de seguir as indicações que apontam para a Zambujeira do Mar num dia soalheiro, sabe-se que se está perto do recinto quando se vêem dezenas de jovens a percorrer os vários quilómetros entre o festival em si, na Herdade da Casa Branca, e a vila do concelho de Odemira. Uns pedem boleia, outros não, mas todos parecem satisfeitos com a caminhada, naquele que é o primeiro dia pleno do MEO Sudoeste 2014.

À entrada para o recinto, Débora Santos, de 18 anos, é imediata quanto às razões para estar no evento: "A música, obviamente" – em concreto, nomes como Hardwell e David Guetta (os dois mais repetidos pelos participantes entrevistados pela Lusa), naquele que é o primeiro festival da jovem de Lisboa.

O cartaz "recheado de bons nomes" é a razão principal para Vítor Batista, o irmão Valter e os amigos António Silva e Joel Cardoso rumarem de Vila Nova de Gaia até ao Alentejo. 

"Já explorámos tudo [na parte do campismo]", diz Vítor, de 18 anos, que sublinha que é assim que "tem que ser", porque senão podiam perfeitamente "estar em casa", uma frase dita em tom de resposta ao cartaz pendurado algures no campismo, que diz: "Queres dormir, dorme em casa".

Os espaços comunitários encontravam-se completamente preenchidos às primeiras horas da tarde de hoje, fosse para carregar os telemóveis, fosse para usar os chuveiros ou para cozinhar.

Charlie, Maddie e Lauren são escocesas de férias em Portugal, durante três semanas, e descobriram o evento porque procuraram algo para fazer, através da internet. 

Depois de lerem críticas positivas, de verem quem eram os cabeças de cartaz e saberem que o festival estaria ao pé de uma praia, decidiram viajar até ao Sudoeste. Riem-se quando se lhes pergunta como foi a noite de recepção ao campista. Porquê os risos? "Perdemo-nos todas", diz Lauren, de 19 anos. 

No canal onde centenas de "festivaleiros" mergulham ou se divertem em cima de colchões insufláveis, Carla, de 23 anos, acaba de fazer uma pequena ferida no pé, mas isso não a impede de enumerar os motivos para estar na Zambujeira do Mar: "Divertimento, música, relaxar, dormir, campo. Muito campo". 

Cristina, de 22 anos, partilha das razões apontadas pelos demais. Originária de Badajoz, mas com casa em Sines, é já o terceiro ano no Sudoeste. A Lusa encontra-a à porta do minimercado próximo do campismo, acompanhada de Beatriz, 23 anos, de Madrid, e de Iker, 26 anos, de Bilbao. 

Os três espanhóis — com a devida ressalva para Iker, que faz questão de se afirmar como basco — desfazem-se em elogios ao festival ("muito barato", por comparação aos do outro lado da fronteira), mas, acima de tudo, às pessoas do festival. "A gente é muito agradável, ajudam em tudo", diz Beatriz.

Os três sublinham que em Espanha "é muito diferente". No Sudoeste, há um grande "respeito" não só pelos restantes, mas também pela envolvência, "respeitam as filas, reciclam", em suma: "Estão em harmonia".

Lusa/SOL