Economia

BES: Manutenção dos trabalhadores é fundamental

O presidente do Sindicato Bancário do Sul e Ilhas manifestou-se hoje disponível para discutir o plano de reestruturação do Novo Banco, considerando que apenas a manutenção dos trabalhadores na instituição poderá criar "o capital de confiança" do banco. 

"Há uma necessidade absoluta e imprescindível da criação do capital de confiança que tem de ser de dentro para fora e essa confiança dentro dos bancos é gerada pelos trabalhadores e, neste caso, dos trabalhadores do Novo Banco", afirmou Rui Riso aos jornalistas no final de um encontro com o presidente do Novo Banco, Vitor Bento.

Considerando que "os trabalhadores são fundamentais na recriação desse processo de confiança", Rui Riso garantiu que o sindicato tudo fará para assegurar os postos de trabalho durante o processo de reestruturação.

"A garantia que há é esta: havendo alguma readequação na dimensão do banco, os sindicatos serão parte da máquina, não serão carruagens. Portanto, vamos fazer parte, seguramente, da solução e não do problema", insistiu.

Rui Riso lembrou, contudo, que "aquilo que estava previsto para o Banco Espírito Santo (BES) era uma redução entre os 400 e os 500 trabalhadores para este ano, através de aposentação e de rescisões amigáveis, bem como o encerramento de alguns balcões" do antigo banco.

Além do Sindicato Bancário do Sul e Ilhas, que integra a Federação do Sector Financeiro (FEBASE), afecta à UGT, o presidente executivo do Novo Banco, Vitor Bento, recebeu também a comissão de trabalhadores do banco, o Sindicato dos Quadros Técnicos Bancários e a comissão sindical do Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (SINTAF) do Grupo Banco Espírito Santo (GBES)/Novo Banco.

Há uma semana, o presidente executivo do Novo Banco afirmou, em entrevista à SIC, a primeira depois de ter assumido a liderança da instituição, que vai apresentar um plano de reestruturação, sobre o qual recusou revelar detalhes.

No entanto, o gestor admitiu, na altura, que "vai ter de haver redimensionamento do banco", mas disse que isso terá de "ser visto com os próprios 'stakeholders'".

Questionado sobre se ia reduzir o número de balcões e de trabalhadores, Vítor Bento admitiu essa probabilidade.

Sobre quando é que este plano estará pronto, Vítor Bento disse não ter "timing' exacto", mas admitiu que este possa ser apresentado "entre um a três meses". 

Na sexta-feira, em reacção às declarações de Vitor Bento, o presidente do Sindicato dos Bancários do Norte admitiu estar preocupado com uma possível redução de postos de trabalho na sequência do plano de reestruturação do Novo Banco.

"É um motivo de preocupação. Claro que estamos preocupados com os trabalhadores do banco e vamos acompanhar o desenvolver da situação e a apresentação do plano de reestruturação", garantiu à agência Lusa Mário Mourão, a propósito das declarações do presidente executivo do Novo Banco sobre possíveis despedimentos.

Já esta semana, Jorge Pires, do PCP, manifestou-se preocupado com o facto de estarmos "perante a possibilidade de assistir ao maior despedimento colectivo do Portugal democrático", após um encontro com a comissão sindical do Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (SINTAF) do Grupo Banco Espírito Santo (GBES)/Novo Banco.

O SINTAF quer saber qual o futuro dos cerca de 10 mil trabalhadores - cerca de 7 mil do Novo Banco e mais de 2 mil da seguradora Tranquilidade - que passaram para a nova instituição.

Na noite de domingo, 03 de Agosto, o Banco de Portugal tomou controlo do BES e anunciou a separação da instituição num banco mau ('bad bank'), que concentra os activos e passivos tóxicos, e num 'banco bom', o banco de transição chamado Novo Banco, que reúne os activos e passivos considerados não problemáticos e que receberá uma capitalização de 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução bancário.

O Fundo de Resolução bancário, que vai capitalizar o Novo Banco, foi criado em 2012 para intervir financeiramente em bancos em dificuldades, aplicando as medidas determinadas pelo Banco de Portugal. Este fundo é financiado pelas contribuições regulares dos mais de 80 bancos com actividade em Portugal e por contribuições extraordinárias em caso de crise num banco em particular.

Lusa/SOL