Internacional

Piloto do jacto que caiu com Eduardo Campos tinha cidadania portuguesa

Marcos Martins, piloto do jacto que caiu esta quarta-feira, dia 13, em Santos, no litoral de São Paulo, tinha cidadania portuguesa, apesar de ter nascido no Brasil. 

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil do Estado de São Paulo, a que o SOL teve acesso, foram apreendidos pela polícia no local do acidente, entre outros documentos das sete vítimas mortais, um cartão do cidadão de Portugal e um passaporte português, ambos do piloto da aeronave que transportava Eduardo Campos, candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB) às eleições presidenciais de 5 de Outubro. 

Marcos Martins, 42 anos, nasceu em Cruzeiro do Oeste, cidade do estado do Paraná e vivia com a esposa e dois filhos, de 6 e 2 anos, em São Paulo. Os pais do piloto, nascido no Brasil, vivem em Maringá, também no Paraná. Segundo Carlos Grou, primo do piloto, contactado pelo SOL, o avô paterno de Martins nasceu em Portugal mas ainda jovem imigrou para o Brasil, instalando-se no Paraná. Os dois filhos do piloto, de acordo com o mesmo familiar, também têm nacionalidade brasileira e portuguesa. 

“Ele sempre teve uma grande vontade de ter cidadania portuguesa e fez questão que os filhos fossem reconhecidos como cidadãos portugueses”, explica Carlos Grou, piloto de aviação, para acrescentar que será passada uma certidão de óbito em Portugal. 

Formado pelo Aeroclube de Londrina, em 1994, Martins teria mais de 3 mil horas de voo. Trabalhou para empresas que operam no sector executivo e voou para os Estados Unidos da América, África, Europa e Brasil. Entre 2007 e Março deste ano trabalhou para a empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), de onde saiu para servir em exclusivo o candidato à presidência do Brasil. “Pelos nossos registos, foi um óptimo aluno e era apaixonado pela aviação”, disse Israel Douglas, director do aeroclube, à EBC. 

No início deste mês, o piloto partilhou uma mensagem no Facebook através da qual manifestava cansaço. “Cansadaço. Voar, voar e voar. E amanhã tem mais. Recife", escreveu o piloto, que desde o início da campanha até ao dia do fatídico voo terá percorrido com Eduardo Campos mais de 36 mil quilómetros e passado por quase 40 cidades de 15 estados brasileiros, segundo um levantamento do portal Globo 1. O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) pediu ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) que apure se o cansaço manifestado pelo piloto pode ser uma das causas do acidente. 

A mãe de Marcos Martins, Maria Elisa Martins, afasta, porém, qualquer responsabilidade do filho na queda do avião. “Ele dizia que estava cansado, mas era um cansaço normal, que qualquer pessoa que trabalha sente. Ele não estava estafado, não. Não estava! Ele gostava muito da sua profissão. Estava muito feliz, amava muito o que fazia”, disse, em declarações ao jornal O Tempo. Maria Eliza explica que ainda que “se ele (o filho) não fosse profissional, tinha morrido muita gente ali. Na hora do sufoco ele desviou dos prédios. Foi um herói”. 

Uma equipa de peritos da National Transportation Safety Board (NTSB), agência governamental norte-americana que inestiga acidente aéreos, está em São Paulo para investigar as causas do acidente em conjunto com com uma equipa de peritos da aeronáutica brasileira e da Cessna Aircraft Company, empresa fabricante do avião que caiu na quarta-feira e do qual foram retiradas as caixas negras que não registaram a conversa do piloto Marcos Martins com a torre de controlo de São Paulo e com o rádio de Santos. 

Segundo a imprensa brasileira, Marcos Martins terá informado os serviços de controlo aéreo que não conseguia avistar a pista da Base Aérea de Santos, razão pela qual pediu autorização para voltar arremeter. A informação terá sido recebida pelos controladores em terra que, entretanto, perderam o contacto com a aeronave. 

A bordo do Cessna 560XL, que descolou do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, rumo à Base Aérea de Santos, próxima do local onde Eduardo Campos iria estar em acção de campanha, seguiam sete pessoas: além de Marcos Martins e de Eduardo Campos, seguiam dois assessores do candidato presidencial, um fotografo e um cinegrafista, que trabalhavam para a candidatura do socialista, e Geraldo Barbosa da Cunha, co-piloto

O corpo do piloto luso-brasileiro saiu ontem do Instituto de Medicina Legal, em São Paulo, para Maringá, onde será sepultado hoje no cemitério municipal. A família de Martins esteve desde quinta-feira na capital paulista para fazer o reconhecimento do corpo. 

ricardo.rego@sol.pt