Internacional

Jornalistas presos no Irão por razões de segurança

Os três jornalistas presos no Irão desde 22 de Julho -- um dos quais o correspondente do Washington Post em Teerão -- foram detidos por razões de segurança, indicou o Ministério Público iraniano num comunicado hoje divulgado.

Foi a primeira vez que um responsável iraniano apresentou uma razão para a detenção, há 27 dias, de Jason Rezaian, do Post, e de uma fotojornalista, ambos com dupla nacionalidade: iraniana e norte-americana.

A mulher de Rezaian, Yeganeh Salehi, também jornalista, foi detida no mesmo dia.

"Três pessoas foram detidas no âmbito deste caso. Trata-se de um caso de segurança", disse Gholamhossein Mohseni-Ejeie, que é também o principal porta-voz do sistema judicial iraniano, num comunicado divulgado pela agência ISNA.

"No cumprimento da lei, não posso revelar os pormenores do caso ou as acusações que os arguidos enfrentam", declarou, acrescentando que está em curso uma investigação.

O procurador-geral, Gholamhossein Esmaili, tinha anteriormente feito referência a espionagem, mas sem fazer acusações específicas.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hassan Ghashghavi, disse no início deste mês que a detenção de Rezaian e da repórter fotográfica -- cuja família pediu que a sua identidade não fosse revelada -- era um assunto interno.

"Não aceitamos duplas nacionalidades. Se uma pessoa entra no Irão com um passaporte iraniano, essa pessoa é considerada um cidadão iraniano", afirmou Ghashghavi ao jornal Vatan-e-Emrooz, um importante diário conservador.

"E não autorizamos que outros países exijam direitos consulares para iranianos", frisou.

A mulher de Jason Rezaian, cidadã iraniana que trabalha para o jornal The National, dos Emirados Árabes Unidos, pediu recentemente um visto norte-americano de residência permanente.

Os Estados Unidos, que não mantêm relações diplomáticas com o Irão, apelaram para a libertação dos jornalistas, tendo o Washington Post, as Nações Unidas e vários observatórios dos 'media' feito apelos semelhantes.

Uma porta-voz do Departamento de Estado norte-americano indicou que os Estados Unidos pediram a ajuda da embaixada suíça em Teerão, que funciona como intermediário, para tentar garantir que responsáveis consulares possam visitar Rezaian.

Observadores estrangeiros citados pela agência de notícias francesa AFP, indicaram que as detenções poderão estar relacionadas com lutas de poder entre conservadores iranianos que dominam o sistema judicial e o Presidente, Hassan Rohani, que é considerado moderado.

Rohani defende uma visão mais liberal quanto à concessão de liberdades sociais na República Islâmica, e iniciou a sua Presidência retomando negociações sobre o dossier nuclear com o Ocidente.

As suas políticas desencadearam críticas dos religiosos mais radicais e dos conservadores.

No início deste mês, especialistas em direitos humanos das Nações Unidas declararam-se alarmados com uma recente leva de detenções e sentenças duras infligidas a jornalistas no Irão.

Esses funcionários da ONU indicaram que, desde 22 de Maio, mais de 30 pessoas, entre as quais jornalistas, 'bloggers', cineastas e autores, foram detidas, acusadas ou condenadas em casos relacionados com a sua actividade jornalística ou por expressarem as respectivas opiniões nas redes sociais.

Os observadores sublinharam recear que as detenções dos jornalistas possam minar as já frágeis negociações entre o Irão e o Ocidente para um acordo nuclear abrangente que as potências mundiais procuram alcançar até 24 de Novembro.

Lusa/SOL