Sociedade

Menino vítima de maus tratos operado na Estefânia

Um menino de três anos foi internado de urgência na segunda-feira no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, com indícios de maus tratos. A criança apresentava uma perfuração do recto e algumas queimaduras, o que obrigou a uma intervenção cirúrgica, que decorreu ontem e da qual estará agora a recuperar. A mãe e o padrasto da criança foram detidos pela Polícia Judiciária e já foram ouvidos por um juiz, que aplicou à progenitora a medida de coacção de termo de identidade e residência.

Segundo apurou o Sol, o menino entrou na urgência com um quadro de peritonite aguda, ou seja, uma infecção que poderá ter resultado dos abusos a que terá sido submetido. A mãe, de 22 anos, negou a existência de agressões e alegou que a criança estava obstipada e que a perfuração resultou da introdução de um clister para resolver esse problema. Contudo, a Polícia Judiciária considera que estas lesões são "sinais de agressão física, alguns de natureza muito grave". Em comunicado, a PJ diz ainda suspeitar que "os maus tratos viessem a ser infligidos de forma reiterada, há vários meses".

A mãe do menino também já foi ouvida pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Lisboa, onde não corria qualquer processo até ao momento. No entanto, como não prestou consentimento para a intervenção dos técnicos, o caso foi remetido ao tribunal.

A mãe e o padrasto do menino regressaram há pouco tempo da Suíça, onde estiveram emigrados. Aí terá corrido também uma acção de protecção à criança, cujos contornos ainda não estão claros. Mas as autoridades portuguesas deverão entrar em contacto com as entidades suíças para apurar mais pormenores. Depois de apurar melhor os factos, o Tribunal deverá decidir a quem será confiada a criança quando tiver alta hospitalar. Mas, ao que tudo indica, não deverá regressar para casa.

rita.carvalho@sol.pt