Opiniao

Eles é que perdem

Maryam Mirzakhani, de 37 anos, é a primeira mulher a ganhar o prémio Fields, considerado o Nobel das Matemáticas. Mirzakhani é conhecida pelos conhecimentos em topologia e geometria da superfície de Riemann. Não faço ideia do que se trata, mas percebo que o seu génio foi reconhecido e recompensado pelos seus pares e que se trata de um prémio atribuído a uma mulher num meio masculino. Este é no entanto o menor dos seus feitos. A proporção de prémios Nobel é parecida. O que me interessa referir é a sua proeza ter sido desmerecida no seu próprio país. A notícia só foi publicada depois de o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, a twittar, acompanhada de uma imagem da vencedora sem véu. A imprensa divulgou a notícia com uma foto antiga de Mirzakhani com véu. O Presidente é o único que pode publicar uma foto de uma iraniana sem véu. Importa saber que Mirzakhani é casada com um estrangeiro e que por isso o filho não tem direito à cidadania iraniana.

Superstição?

O avanço selvático das forças do Estado Islâmico levaram os Estados Unidos e alguns países europeus a ajudar os povos ameaçados. A ajudar está também o exército curdo, embora de um estado curdo que não existe. O Peshmerga, 'aqueles que enfrentam a morte', vem de uma região no norte do Iraque habitada por curdos, e está a ser reforçado pelo PKK, o partido dos trabalhadores do Curdistão. Não é um reforço menor. São combatentes com experiência recente na guerra de guerrilha. Lutaram contra Saddam Hussein e o governo turco. A ideologia do PKK é ecléctica. Foram comunistas e maoístas e agora há nacionalistas, libertários, socialistas, democratas e feministas. Tem uma brigada constituída só por mulheres ainda mais temida do que os combatentes homens. Dizem que os fanáticos do Estado Islâmico têm medo de morrer às mãos destas guerreiras, já que o facto de serem mortos por mulheres não lhes garante um lugar no céu rodeados das já clássicas 70 virgens. 

Razões

O suicídio do comediante Robin Williams deu origem a uma espiral de alegações nunca antes vista. Nas 48 horas a seguir à sua morte, foram publicados centenas de artigos sobre o sucedido. Em quase todos foi desenvolvida a teoria da relação entre humor e depressão. Ficámos a saber que o humorista é um deprimido disfarçado e que o riso é afinal uma maneira de lidar com a dura realidade. Ai sim? Permitam-me que boceje perante uma explicação que depende apenas de uma opinião pouco favorável e nada esclarecida sobre a actividade humorística. Há humoristas deprimidos como há metalúrgicos, mães ou milionários. Robin Williams era um monstro de talento. Essa, sim, é uma diferença importante. A depressão não escolhe profissão. É uma doença grave e será, em parte, responsável pelo fim de um actor amado. Mas nem todas as depressões terminam deste modo, por isso nem mesmo a doença é explicação suficiente. Nunca sabemos por que alguém se suicida. 

Três sites

A internet é o que fazemos dela. Por muito que vejamos coisas que preferíamos não ter visto (acontece quando se faz parte de uma rede social, por exemplo), temos a possibilidade de escolhermos ver só o que queremos. Ultimamente tenho usado a internet mais para me distrair do que para me manter informada. Há sites de qualidade cientifica, como o Nautilus (nautil.us) ou a Aeon Magazine (aeon.co/magazine), que continuo a seguir, mas este Verão tenho visitado sites como o Bored Panda (www.boredpanda.com), o Flavorwire (flavorwire.com) e o Mental Floss (mentalfloss.com). São sites de divertimento sem consequências. São armazéns de inutilidades, com listas engraçadas e curiosidades que circulam na internet. Todos são depósitos de imagens irresistíveis e de vídeos breves que nos pedem para carregar no Play. Não servem para nada de especial a não ser para nos levar a visitá-los vezes sem conta. Talvez sirvam para percebermos o que pode ser viral. 

Abracinho

Não foi há muito que ridicularizei uma 'nova profissão' que consiste em trocar aconchegos por dinheiro. Havia piadas a fazer à custa de Samantha Hess, uma espertalhona que tinha descoberto que podia vender serviços de abraços a clientes solitários. Dias depois li um artigo na Psychology Today que me fez sentir mal. Segundo Pamela Regan, o contacto físico é tão importante para a nossa sobrevivência que talvez valha a pena pagar pelo 'serviço'. Sou sensível à necessidade de carinho e não quis atacar os clientes carentes. Na verdade, só não vejo como defender o abraço ou o aconchego como 'um serviço' e não sei como é que uma pessoa que passa umas horas enroscada noutra na cama está 'a trabalhar'. Mas tendo em conta a necessidade, talvez possamos pensar num regime de voluntariado para estes casos. Afinal de contas, um dia até posso precisar. As misericórdias podiam organizar sessões de abracinhos. Mas nada de andar a pedir subsídios ao Estado.