Economia

Zeinal Bava apadrinha novo homem forte da PT

A pouco menos de duas semanas da assembleia-geral que tem como único ponto a aprovação do novo acordo da fusão com a Oi, a Portugal Telecom (PT) continua envolta numa nuvem de dúvidas por causa do investimento de 900 milhões de euros em dívida da Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo. Ninguém assume a culpa desta aplicação e Zeinal Bava esteve esta semana em Portugal no meio da agitação.

O gestor da Oi passou o testemunho de presidente da PT Portugal a Armando Almeida. Desde 18 de Agosto que o novo CEO anda a fazer um roadshow pelos vários departamentos da operadora, sempre com Zeinal Bava ao seu lado.
Durante uma reunião com a comissão de trabalhadores, o novo presidente da PT Portugal - empresa que integra os activos da operadora entretanto transferidos para a Oi - adiantou que irá apresentar um plano de reestruturação no Outono. 

Este plano, segundo apurou o SOL, vai assentar em cinco pilares: cliente, inovação, integração, cultura de empresa e foco financeiro. “Money talks”, disse o gestor a colaboradores da empresa, deixando claro que a componente financeira e a entrega de valor aos accionistas é “crítica”. E que “deve ser uma das responsabilidades dos gestores”.

A fusão com a Oi e toda a situação nebulosa que envolve a operadora não podiam deixar de ser abordadas pelo gestor.

Armando Almeida frisou, de acordo com alguns trabalhadores do grupo, que um dos principais objectivos é “fazer sempre uma comunicação transparente e aberta. No final, o resultado será um: criar uma empresa com processos iguais, de médio a longo prazo”.

Novos mercados

Outro recado aos colaboradores foi a aposta em novos mercados. Para o gestor, o foco da empresa não poderá estar só em Portugal, “porque é parte integrante de uma multinacional e terá de agir como tal”, contou um dos trabalhadores ao SOL.

Uma das frases mais repetidas durante a passagem da pasta foi o foco no cliente, não só na área de consumo como no segmento empresarial. No novo plano, a ser apresentado entre Outubro e Novembro, as pequenas e médias empresas vão ganhar lugar de destaque na estratégia do grupo.

Além dos trabalhadores, Armando Almeida, que trabalhava na Nokia Siemens Networks antes de aceitar o novo desafio, falou também com o sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom. Questionado sobre as repercussões da polémica do investimento no GES, o substituto de Zeinal Bava mostrou total disponibilidade para ajudar a ultrapassar esta fase.

O roadshow de Armando Almeida vai continuar, mas os próximos encontros já não deverão contar com a presença de Zeinal Bava, presidente-executivo da Oi.

Nas próximas cinco semanas o gestor vai reunir com os administradores e colaboradores das várias unidades da PT em Lisboa e no Porto, mas também nos Contact Centers da Covilhã e Santo Tirso. O objectivo, como explicou aos trabalhadores, é conhecer a empresa de perto e tomar-lhe o pulso. 

sara.ribeiro@sol.pt