Politica

CDS questiona opção ‘ideológica’ para jardins de Lisboa

Está aberta a guerra em torno dos brasões dos jardins dos Jerónimos, em Lisboa. António Costa e José Sá Fernandes decidiram que os alusivos às ex-colónias não deverão ser mantidos, mas João Gonçalves Pereira do CDS não se conforma com a opção “ideológica” do Executivo camarário.

“Se esse critério ideológico fosse seguido, chegaríamos ao absurdo de esconder os Jerónimos - monumento da expansão de Portugal - ou ignorar a Torre de Belém - símbolo dos Descobrimentos - ou ainda riscar das paredes as pinturas do salão nobre da Assembleia da República - alusivas ao ciclo imperial - ou ter vergonha dos brasões do antigo Banco Nacional Ultramarino e hoje excelente Museu de Design, apenas para mencionar quatro exemplos”, ataca o centrista numa carta enviada a António Costa.

Gonçalves Pereira diz mesmo que Costa “está a abrir uma querela que ninguém pediu ou suscitou”, já que “não há registo de nenhum país ou comunidade incomodada com tais brasões ajardinados”.

De resto, o vereador do CDS não entende uma opção que, na sua opinião, “tem como base razões políticas incompreensíveis”.

“Tal decisão parte de um princípio político errado e enganador, segundo o qual os brasões ajardinados representam ou vinculam Portugal a símbolos coloniais”, lê-se na missiva endereçada ao presidente da Câmara de Lisboa, a quem João Gonçalves Pereira recorda que “a História é a História e não se apaga, e o património é o património”.

O vereador critica ainda o facto de a decisão ter sido tomada em antes ter sido debatida em reunião da vereação: “Mandaria o mais elementar bom senso ouvir a Câmara antes de mandar destruir património que faz parte da nossa História, ainda mais, tratando-se de zonas e espaços classificados”.

Por isso, mesmo Gonçalves Pereira pede a António Costa que o assunto seja levado a discussão e votação em reunião de Câmara e que a “Câmara  de Lisboa solicite de imediato às instituições orgânica e materialmente competentes em matéria de património cultural, os pareceres sobre esta decisão e suas consequências”.

margarida.davim@sol.pt