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Seguro exige “toda a verdade” sobre os casos BES e ENVC

O secretário-geral do PS exigiu este domingo, em Melgaço, "toda a verdade" e o "apuramento de responsabilidades" nos casos do BES e dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), para combater a "crise moral e de regime" em Portugal.

"Este caso [BES] precisa de ser esclarecido e não basta uma comissão de inquérito no parlamento. É necessário que todas a instituições façam o que é o seu dever. As instituições de regulação, as instituições de supervisão, mas também as instituições da Justiça e do Governo. Isto não pode ficar assim. Os portugueses não podem ser surpreendidos frequentemente de forma desagradável e negativa com notícias sobre os bancos, com relacionamentos que não são claros e com influências e redes de interesses que não são esclarecidas", afirmou.

António José Seguro falava durante um jantar que juntou cerca de 330 apoiantes, em Melgaço, a propósito da necessidade de "uma grande mudança", ao nível da "separação entre política e os negócios".

"A democracia não convive com opacidade ou com obscurantismo. A democracia convive com transparência, com verdade e quando se mexe em dinheiros públicos tudo tem que ser esclarecido. Nada pode ficar escondido e quem cometeu alegados erros ilegais ou criminais deve assumir as suas responsabilidades e deve ser punido", sustentou.
Sobre o Banco Espírito Santo (BES) adiantou que não se trata de "um problema de um banco apenas, ou do sistema bancário", mas de "um problema do regime democrático".

Seguro explicou que o que se está a passar com o BES "já aconteceu com o BPN, BPP e BCP" e que "não pode ficar assim".

"A nós não nos interessa a versão do A, do B, do C ou do D, isso é para o espetáculo. Aos portugueses o que interessa e o que exigimos é toda a verdade, todo o esclarecimento e apuramento de responsabilidades neste caso do BES", sublinhou.

A mesma exigência, reclamou o dirigente socialista, aplica-se "aos dinheiros públicos".
Apontou como exemplo os ENVC, por se tratar de uma empresa pública, atualmente em processo de extinção, situada no distrito de Viana do Castelo.

Citou o caso do contrato estabelecido entre a transportadora açoriana Atlânticoline e os ENVC para a construção de dois navios para assegurar as ligações entre as ilhas do arquipélago.

Concluído em 2009, o "ferryboat" Atlântida, que foi encomendado e rejeitado pelos Açores, deveria ter rendido 50 milhões de euros. Encostado no Alfeite à espera de comprador, foi avaliado em 29 milhões no relatório e contas de 2012 dos ENVC, cuja administração calcula que, até ao momento, o negócio do Atlântida represente prejuízos superiores a 70 milhões de euros.

"Quem pagou esses 70 milhões de euros? O Estado, isto é, todos nós com o dinheiro dos nossos impostos. (…) Viram alguém ser responsabilidade por essa situação? (…) Eu não posso e não aceito viver num país onde se desbaratam 70 milhões de euros e ninguém é responsabilizado. (…) Muito menos quando se pedem sacrifícios aos portugueses e não se pedem responsabilidades aos agentes e administradores do Estado”, afirmou.

Para Seguro "são casos como estes que minam a relação de confiança entre os portugueses e aqueles que tem a responsabilidade de governar o país e administrar bem” os recursos.

O secretário-geral do PS classificou ainda de "marca histórica e uma revolução" os 145 mil portugueses que até à última sexta-feira já se tinham inscrito para votar nas eleições primárias do próximo dia 28.

SOL/Lusa