Cultura

Morreu o maestro britânico Christopher Hogwood

O cravista e maestro britânico Christopher Hogwood morreu na quarta-feira aos 73 anos em Cambridge (Reino Unido), anunciou a Academia de Música Antiga, que o musicólogo fundou.


O maestro, que estava doente há vários meses, esteve algumas vezes em Portugal, dirigindo, entre outras, a Orquestra Gulbenkian, e a Metropolitana de Lisboa e actuando na Casa da Música, no Porto, com a Orquestra de Câmara de Basel.

Christopher Hogwood é considerado um dos nomes mais importantes do estudo da música antiga, fundou a Academia de Música Antiga em 1973 e dirigiu a orquestra nela criada em atuações por todo o mundo, gravando mais de 200 álbuns.

A Academia de Música Antiga (AMA) tem como objectivo de oferecer ao público interpretações historicamente informadas.

Autor de uma biografia sobre Handel, Chritopher Hogwood gravou, com a orquestra da Academia, todas as sinfonias de Mozart e Beethoven.

Do longo e prestigiado currículo revela, por exemplo, que foi director artístico da Handel e Haydn Society (EUA), director associado da Beethoven Academie (Bélgica) e maestro convidado da Saint Paul Chamber Orchestra, da Orquestra Sinfónica de Milão, da Orquestra Filarmónica de Póznan.

O crítico de música Bernardo Mariano aponta Christopher Hogwood como "um patriarca da música antiga".

Além de ter dirigido várias vezes a Orquestra Gulbenkian, Hogwood gravou com esta, em 2004, a integral para violeta de Franz Anton Hoffmeister, sendo solista o violetista Ashan Pillai.

Sobre este CD, o crítico de música Filipe Mesquita de Oliveira escreveu: "Na verdade, Hogwood transporta o seu saber, herdado da música antiga, para a direcção de uma formação moderna, como é o caso da Orquestra Gulbenkian, não se notando qualquer espécie de desvio da lógica da retórica clássico".

"Exemplar portanto o trabalho do maestro britânico", rematou Mesquita de Oliveira.

Além de ter dirigido na Fundação Gulbenkian, e a Metropolitana de Lisboa, o maestro britânico dirigiu a Casa da Música, no Porto, em 2007 e 2009, e o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em 2009.

A orquestra da Academia é constituída por especialistas em todas as áreas da interpretação, dos estilos Barroco e Clássico, utilizando instrumentos pertencentes a cada época e nas respetivas formações,

Sob a direcção de Hogwoof, a AMA gravou vários álbuns, nomeadamente para a etiqueta Decca, tendo sido a primeira orquestra a completar a gravação integral das sinfonias de Mozart com instrumentos de época, tendo gravado depois a série integral de concertos para piano e sinfonias de Beethoven.

A orquestra efectuava, actualmente a gravação integral das sinfonias de Haydn e dos concertos para piano de Mozart.

Entre outras gravações refira-se as óperas "Dido e Eneias", de Purcell, "Orlando" de Händel, "La Clemenza di Tito", de Mozart, este última com a soprano italiana Cecilia Bartoli e que foi distinguida com o Prémio da Crítica Discográfica Alemã e uma nomeação para os Grammy.

Christopher Hogwood voltou a colaborar com a soprano nas gravações de "Orfeu", de Haydn e "Rinaldo", de Handel.

O crítico de música Bernardo Mariano considerou que a "dupla" Hogwood e AMA é "uma das mais prolíficas da música clássica em número de gravações, com cerca de 250 só à sua conta".

Em 2006 Hogwood passou a direcção da AMA ao maestro Richard Egarr.

Lusa/SOL