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Verdes acusam PM de usar ambiente para mascarar carga fiscal

Os Verdes acusam o Governo de usar o ambiente para ir buscar receitas para compensar a descida de impostos. Mas o primeiro-ministro deu ao Parlamento a garantia de que não irá usar essas novas receitas para substituir as receitas de medidas extraordinárias. Sem ser mais explícito, Passos deixou ideia de que não é a fiscalidade verde que vai sustentar um eventual corte na sobretaxa de IRS.


"Cumpra o que prometeu. Baixe os impostos", exortou a deputada de Os Verdes, Heloísa Apolónia, acusando o Governo de estar a "usar o ambiente para efeitos perversos", ao aprovar um pacote de fiscalidade verde para compensar a redução de impostos sobre rendimentos.

 Heloísa Apolónia diz que só fará sentido discutir a fiscalidade verde, num quadro de uma carga fiscal já mais reduzida, e só então aprovar novos impostos e taxas com uma garantia de neutralidade fiscal.

 "O pacote da fiscalidade verde não está a ser usado para nada ", respondeu Passos Coelho assegurando que ainda nada está decidido e que "não haverá nenhuma medida permanente na área fiscal para remover medidas de carácter extraordinário".

 As explicações ficaram-se por aqui, com o primeiro-ministro a afirmar que mais claro não podia ser. A alusão pode ser lida como uma resposta às notícias que têm dado como certa uma descida da sobretaxa de IRS suportada através das receitas dos novos impostos verdes - um cenário que consta do relatório da comissão que estudou esta reforma.

 O primeiro-ministro, que frisou a "neutralidade" do impacto destas medidas de fiscalidade ambiental, afirmou estar ainda à espera das conclusões finais da comissão que estudou a reforma do IRS.