Politica

Seguro assume derrota e demite-se de secretário-geral do PS

António José Seguro assumiu a derrota nas eleições primárias do PS e demitiu-se de secretário-geral do partido. "Compareço entre vós para cumprir a minha palavra. Cesso hoje as funções de secretário-geral do PS" - foram estas as primeiras frases do discurso escrito de Seguro, o seu último proferido no Largo do Rato. Durou escassos sete minutos, e, aconteceu menos de meia hora depois do seu director de campanha, João Proença, ter dito que a candidatura ia esperar pelos resultados, não assumindo então a vitória de Costa. O impasse duraria afinal muito pouco tempo.

António José Seguro esclareceu também que não se envolverá numa candidatura contra Costa no congresso do PS, que se seguirá. "Regresso hoje à condição de militante de base do PS, que manterei a seguir ao congresso nacional", disse.
 
Ao vencedor, António Costa, o até agora líder socialista, dirigiu os parabéns. "Felicito democraticamente o Dr. António Costa e todos os que ganharam as eleições". "O PS escolheu o seu candidato a primeiro-ministro, ponto final".
 
No final, não respondeu a perguntas dos jornalistas e saiu da sala de mão dada com a mulher, Margarida. Entre os dirigentes que acompanharam o discurso do líder, estiveram João Proença, Álvaro Beleza, Miguel Laranjeiro, Óscar Gaspar, Manuel Machado e Alberto Martins, membros do seu núcleo político.
 
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Puxando pelos galões do seu mandato, Seguro reclamou ter deixado a Costa o PS como primeiro partido, em condições difíceis. "Transformámos o PS no maior partido de Portugal", e "enfrentámos pela primeira vez uma maioria, um governo e um Presidente. Como se não fosse suficiente, acrescentou-se o Presidente da Comissão Europeia".
 
Invocou também o mérito de ter convocado as primárias. "Estas eleições primárias são a melhor comemoração dos 40 anos do 25 de Abril de 1974". A partir de hoje, "nada ficará igual nem no PS nem na democracia portuguesa", afirmou.
 
Se, no futuro, prescinde de cargos, Seguro garantiu que continuará a lutar pelos valores em que acredita. Um Portugal solidário, e com mais transparência na vida pública e separação entre a política e os negócios contam-se entre esses valores.
 
Seguro agradeceu ainda aos socialistas que o "elegeram duas vezes líder do PS" e manifestou "alegria" e "honra" por ter desempenhado o cargo.

manuel.a.magalhaes@sol.pt