Politica

Rebuliço no Rato: "Vem aí o Costa!"

Numa noite singular, a maior surpresa estava guardada para o final. António Costa, o vencedor das primárias, veio ao Largo do Rato, a sede nacional do PS, e quartel-general de António José Seguro. Duas horas depois de Seguro ter saído de mão dada com a mulher e a filha, chegou o novo homem forte, acompanhado por Carlos César e Ana Catarina Mendes. O motivo da inesperada visita: apresentar cumprimentos a Jorge Coelho, o presidente da Comissão Eleitoral.

Costa chegou sem apoiantes, nem caravana. Depois de cumprimentar os jornalistas subiu as escadas até ao primeiro andar, onde Jorge Coelho o esperava. Um forte abraço entre ambos deu início a uma reunião na sala onde até esta semana Seguro reunia o seu secretariado.

Quinze minutos depois, Costa saiu. Escada abaixo, sem responder a perguntas dos jornalistas, entrou no carro. Antes, respondeu a uma última pergunta: "O que vai fazer agora?", "Vou beber uma imperial".

A visita de Costa provocou um rebuliço no Rato. Os jornalistas que ainda restavam na sede do PS estavam já prestes a concluir o trabalho de cobertura da noite eleitoral segurista, quando rebentou a notícia da vinda de Costa. No início ninguém queria acreditar, e quando finalmente se tornou claro que ia acontecer, eis que já chegava o novo líder socialista, que por enquanto é apenas candidato a primeiro-ministro e só será secretário-geral depois do congresso e das directas.

Tudo muito rápido e insólito. Como insólita foi a precipitação do discurso de Seguro, apresentando a sua demissão de secretário-geral, uns quinze minutos depois de João Proença seu director de campanha ter garantido aos jornalistas que o resultado das primárias estava em aberto e que haveria que esperar para se conhecer o vencedor.

"Nada ficará igual", disse Seguro no seu discurso. "Nada será como dantes", corroboraria a presidente do PS, Maria de Belém. Na sede do Largo do Rato, a noite eleitoral deixou mesmo essa impressão.

manuel.a.magalhaes@sol.pt