Sociedade

Projecto vai apoiar familiares de emigrantes que ficaram em Portugal

A Fundação São João de Deus apresentou hoje no Luxemburgo um projecto para apoiar os familiares de emigrantes portugueses que ficaram em Portugal e vivem em situação de isolamento social.

Baptizado "Somos por si, somos por Portugal", o projecto conta para já com a parceria da associação Raras, que presta apoio a emigrantes portugueses no Luxemburgo, e foi apresentado durante um encontro com o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, durante uma visita de três dias ao Grão-Ducado.

O objectivo é "facilitar a comunicação entre os emigrantes e os familiares que ficaram em Portugal, sobretudo os mais idosos, recorrendo a 'tablets' ou outros meios informáticos", procurando prestar apoio "nas compras ou nas deslocações ao médico", disse à Lusa o presidente da Fundação São João de Deus, Rui Ferreira Amaral.

A associação Raras vai "sinalizar casos de pessoas sozinhas que precisam de ajuda", responsabilizando-se a Fundação por "prestar apoio em várias áreas, que podem incluir também a procura de actividades em lares e centros de dia", através de voluntários e técnicos da organização católica, que conta com delegações em Lisboa, Guarda e Porto.

A ideia surgiu depois de um idoso a quem a Fundação prestava apoio se ter queixado "de não poder ver o filho" que emigrou.

"Usámos um 'tablet' para os pôr em contacto, e ele aprendeu a usá-lo para poder falar com o filho e vê-lo pela internet", recordou o presidente da Fundação São João de Deus, que conta com o apoio da Fundação Portugal Telecom, que fornece equipamento informático.

Para a presidente da associação Raras, a iniciativa vem dar resposta a um problema que "aumentou com a nova vaga de emigração".

"Há cada vez mais casos de pessoas que saem do país com 40 ou 50 anos e deixam lá os pais que, em muitos casos, não têm sequer acesso às novas tecnologias", disse à Lusa Isabel Ferreira.

O projecto, que vai arrancar inicialmente com a comunidade portuguesa do Luxemburgo, será depois ser alargado a outros países, disse Rui Ferreira Amaral, adiantando que a Fundação está "a tentar estabelecer contactos também em Paris".

Para o secretário de Estado das Comunidades, a iniciativa constitui “uma das respostas a alguns dos problemas que têm surgido com a emigração".

Destacando que "mais de metade das verbas da Secretaria de Estado das Comunidades para o mundo associativo vai para o apoio aos mais necessitados", José Cesário elogiou as iniciativas da sociedade civil.

"É preciso pôr a sociedade civil em Portugal e no estrangeiro a colaborar", defendeu.

Durante a visita ao Luxemburgo, que terminou hoje, o secretário de Estado entregou ainda uma condecoração atribuída por Cavaco Silva ao presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), José Coimbra de Matos, tendo entregue também bibliotecas infantis a duas associações e participado no Festival Portugal Pop e num encontro com o Centro de Apoio Social e Associativo (CASA).

Lusa/SOL