Economia

ES Saúde: Ángeles recuou por considerar excessivo preço oferecido pela Fidelidade

A Ángeles afirmou hoje que deixou cair a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Espírito Santo Saúde (ESS) por considerar que o preço oferecido pela Fidelidade é “superior” ao que grupo mexicano considera “ser justo pagar”.

“A única razão que ditou esta decisão foi, no entender do Grupo Ángeles, o facto de o preço oferecido pela Fidelidade ser superior ao que consideramos, neste momento, ser justo pagar”, disse fonte oficial da Ángeles numa nota escrita enviada à agência Lusa.

O grupo mexicano salienta que “cumpriu em todo o processo da OPA a lei portuguesa, cumpriu os prazos, o processo de entrega de documentação e todos os requisitos pedidos pelas autoridades portuguesas competentes: a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, incluindo o prazo definido pela lei portuguesa para a possibilidade de saída do processo de OPA”.

Apesar de ter deixado cair a OPA sobre a ESS, a Ángeles acentua que “é uma empresa séria e que tem um real interesse em investir em Portugal”.

“Esperamos que existam oportunidades futuras de investimentos em Portugal, mercado que nos parece atractivo e com o qual partilhamos os valores do trabalho, da honestidade, da inovação e do crescimento. Registamos de bom grado a forma como o processo foi conduzido", remata a Ángeles.

Na terça-feira, em comunicado enviado à CMVM, o grupo mexicano confirmou que deixou cair a OPA que tinha lançado sobre a ESS, explicando que a retirada da oferta tinha “como fundamentos o lançamento pela Fidelidade – Companhia de Seguros, S.A. no dia 26 de Setembro de 2014 de uma oferta concorrente a um preço de 4,82 euros por acção”, tendo a Ángeles decidido não rever a contrapartida da sua oferta.

A Ángeles tinha apresentado uma contrapartida de 4,50 euros por acção, que foi considerada "aceitável" pela administração da ESS na semana passada. Contudo, este valor foi, entretanto, superado pela oferta concorrente da seguradora Fidelidade (4,82 euros).

Na sexta-feira, o Grupo Mello fez saber que mantém o pedido de registo da OPA sobre a ESS, aguardando uma resposta da CMVM, que já respondeu que só avançará com o registo caso a empresa prescinda da autorização da Autoridade da Concorrência (AdC).

Isto, depois de na véspera (quinta-feira) Salvador de Mello, líder da José de Mello Saúde, ter anunciado publicamente que "se viu obrigado" a retirar a OPA sobre a ESS, na qual oferecia uma contrapartida de 4,40 euros, "perante as condições impostas pela CMVM", relacionadas, sobretudo, com a questão ligada ao tempo necessário para obter uma decisão da AdC sobre o negócio.

Por sua vez, a United Healthcare Group, dona da brasileira Amil, que comprou o negócio da saúde à Caixa Geral de Depósitos, pretende adquirir a participação de 51% detida pela Espírito Santo Health Care Investiments (controlada pela 'holding' Rioforte) no capital social da ESS por aquisição particular, fora de bolsa.

A ESS é detida maioritariamente pela Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo (GES), e é dona, entre outros activos, do Hospital da Luz, em Lisboa, e gere, em regime de Parceria Público-Privada, o Hospital de Loures.

No final de Maio, a ESS anunciou que o seu lucro quase duplicou em termos homólogos no primeiro trimestre do ano, para 4,6 milhões de euros.

Lusa/SOL