Politica

Passos irritado com CDS

Passos Coelho já denota irritação com a insistência do CDS em aparecer como o partido defensor do alívio da carga fiscal. O primeiro-ministro já o terá desabafado no seu círculo mais próximo e uma fonte do Governo admite algum incómodo: “É claro que há pessoas, como Passos e Maria Luís Albuquerque, que preferiam que essa posição do CDS não fosse tão audível”.

A irritação não chega, porém, para causar uma ruptura. “Um governo de coligação não é um monólito, são dois partidos”, comenta uma fonte do Executivo.

PSD admite que comunicação do CDS é mais eficaz

“Todos queremos baixar os impostos. O CDS faz é mais foguetório à volta disso. Eles são sempre assim”, acrescenta uma fonte da direcção do PSD, que admite que o problema pode estar mais na eficácia da comunicação política do que em diferenças de opinião. “Há um ano e meio ou dois, quando o CDS só falava em baixar o IRS, o primeiro-ministro dizia que, a haver possibilidade, preferia baixar o IVA. Agora, só falam na baixa do IRS”, recorda a mesma fonte. “Se calhar nós é que não sabemos passar bem a mensagem”, desabafa o social-democrata.

E a verdade é que se o CDS já conseguiu passar ao longo do último ano a mensagem para o eleitorado de que os centristas são os que mais se batem na coligação pela redução dos impostos, agora há uma tentativa de refrear as coisas. Ainda esta semana, o líder do CDS e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, deu ordens expressas aos seus deputados para, no plenário, deixarem bem claro que  a intenção de avançar com um alívio fiscal “é matéria não de partidos mas da coligação e do Governo”.

Outra fonte da direcção do PSD reforça que a intenção de baixar os impostos é comum aos dois partidos e adianta que a divergência poderá registar-se ao nível de “decidir onde mexer”.

A menos de quinze dias da entrega do Orçamento do Estado no Parlamento, as soluções concretas que devem ser apresentadas por Maria Luís Albuquerque ainda estão envoltas em mistério. “Não há nada fechado”, resume uma fonte do Executivo.

A expectativa de uma “moderação fiscal”, como a que tem pedido Paulo Portas, é, contudo, cada vez maior entre os partidos da maioria. E não é por acaso. Depois de o relatório sobre a fiscalidade verde apontar para receitas que poderiam vir a servir para baixar a sobretaxa do IRS, esta semana os peritos que estudaram a reforma do imposto sobre o rendimento voltaram a defender a eliminação progressiva desta taxa.

Na sexta-feira da semana passada, Passos foi, no entanto, ao Parlamento garantir que “não haverá nenhuma medida permanente na área fiscal para remover medidas de carácter extraordinário”, assegurando - em resposta à deputada de Os Verdes, Heloísa Apolónia - que “o pacote da fiscalidade verde não está a ser usado para nada”. Ou seja, não deverá ser pela nova receita obtida através de impostos ambientais que se fará a descida da sobretaxa do IRS. Mas nem essas declarações no debate quinzenal fizeram arrefecer na maioria a ideia de que o Orçamento de 2015 será a altura de dar um sinal positivo, “se houver possibilidades para isso” - sublinham todas as fontes ouvidas sobre este tema.

“Todos os indicadores são positivos. Agora, é importante que isso não leve a um regabofe antes de eleições. O equilíbrio das contas é positivo, mas ténue”, aponta um dirigente do PSD.

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