Internacional

Brasil vai hoje a votos com Marina e Aécio empatados nas sondagens

Que a política é o terreno do imponderável, é uma certeza. Que há um mês seria pouco provável acreditar que Aécio Neves, candidato do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB), iria estar hoje a disputar o segundo lugar e consequente passagem ao segundo turno, não existem grandes dúvidas. Que Marina Silva, a candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) que entrou como o furacão pela campanha depois da morte de Eduardo Campos, a 13 de Agosto, e que apareceu nas sondagens a seguir publicadas como vencedora no segundo turno, iria estar hoje a temer o sufrágio dos eleitores brasileiros, ninguém acreditava. Mas é verdade. 


A menos de 24 horas da abertura das mesas de voto electrónico, duas sondagens publicadas ontem à tarde (16 horas, hora de Brasília) confirmam uma tendência que começou quando faltavam duas semanas para o fim de uma campanha eleitoral cheia de reviravoltas: Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), vence hoje as eleições sem maioria e a dúvida está em saber qual dos seus potenciais adversários no segundo turno, a realizar no dia 26, irá ter mais votos já que estão tecnicamente empatados. 

Na sondagem do Ibope para o Estado de São Paulo, Dilma surge 40% das intenções de voto, a mesma percentagem que registou numa sondagem publicada na quinta-feira. Aécio surge com 24%, enquanto Marina soma 21%. Considerando a margem de erro, dois pontos percentuais para mais, ou para menos, os dois candidatos estão empatados. Na quinta-feira, o mesmo instituto registava 19% para o candidato do PSDB e 24% para a candidata do PSB. O mesmo é dizer que em dois dias Aécio Neves subiu cinco pontos percentuais e Marina Silva baixou três. 

De acordo com as projecções do Ibope publicadas desde o dia 3 de Setembro, só Marina Silva vem perdendo eleitores: Dilma Rousseff somava 35% das intenções de voto, Aécio Neves, o candidato que desceu para o terceiro lugar nas sondagens depois da morte de Eduardo Campos, a 13 de Agosto, acumulava 15% e Marina Silva, que substituiu Campos, 33%. das intenções de voto. 

A sondagem do Ibope publicada ontem considerou ainda dois cenários para o segundo turno: em qualquer um deles, a ainda Presidente do Brasil seria reeleita com 45% quer fosse com Marina Silva, que conseguiria 37% dos votos, ou com Aécio, que também não passava dos 37%. 

Numa outra sondagem publicada ontem, do Datafolha para a Folha de São Paulo, Dilma Rousseff surge também com 40% das intenções de voto. Aécio Neves consegue 26% e Marina Silva 24%. A margem de erro é de 2% (para mais ou para menos) e, por isso, os dois candidatos estão numa situação de empate técnico. Há dois dias, o conservador tinha 24% e a ambientalista 22% das intenções de voto. A 3 de Setembro, a sucessora de Lula da Silva surgia com 35% das intenções, Marina Silva com 34% e Aécio Neves com 14%. 

Concorrem a Presidente do Brasil 11 candidatos. Para que não haja segunda volta, um só candidato precisa de uma maioria absoluta, ou seja, precisa de concentrar um número de votos superior à soma de todos os seus 10 adversários, neste caso. 

O voto no Brasil é electrónico e obrigatório para maiores de 18 anos. Estão recenseados para estas eleições 142 milhões de brasileiros. A ordem de votação começa com a escolha do deputado estadual ou distrital, este último no caso dos deputados eleitos em Brasília, deputado federal, senador, governador e Presidente. 

Dilma Rousseff vota em Porto Alegre e depois vai para Brasília onde reage aos resultados eleitorais a partir de uma unidade hoteleira do Distrito Federal. Marina Silva vota no Rio Branco, no Acre, e depois voa para São Paulo para acompanhar as projecções e os resultados oficiais. Aécio Neves vota em Minas Gerais, onde deverá reagir ao dia eleitoral ao início da noite. 

Os resultados oficiais só deverão ser conhecidos por volta as 23 horas de Brasília (3 horas de Segunda-feira, em Lisboa). 

ricardo.rego@sol.pt

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