Internacional

Morreu Baby Doc, o ex-ditador do Haiti

Um ataque cardíaco vitimou no passado sábado o antigo ditador do Haiti Jean-Claude Duvalier, anunciou o seu advogado.


Jean-Claude, também conhecido por Baby Doc, tornou-se um dos mais jovens chefes de Estado de sempre quando sucedeu ao seu pai, François Duvalier, que morreu repentinamente em 1971. Tinha apenas 19 anos.

Foi com optimismo que os haitianos acolheram a subida do jovem ao poder, esperando um regime menos repressivo do que o do seu pai, um antigo médico (daí ser conhecido por Papa Doc). François promoveu a doutrina do Noirisme (Negrismo), que retirou a hegemonia à elite mestiça, dando mais poder à maioria negra.

Baby Doc exerceu o poder durante 15 anos, até 1985, ano em que um golpe de estado o obrigou a fugir do país, a bordo de um avião do governo americano. Passou 25 anos exilado em França.

Regressaria de surpresa ao Haiti em 2011, depois do terramoto de 12 de Janeiro de 2010 que devastou o país e causou mais de 100 mil mortos. Aí teve de enfrentar a Justiça, acusado de instigar a tortura e de mandar assassinar opositores políticos. Estima-se que durante os regimes dos dois Duvaliers tenham sido mortas cerca de 30 mil pessoas, mas Jean-Claude conseguiu ser ilibado.

Os consulados de pai e filho pautaram-se também pela corrupção, desvio de fundos e estilo de vida sumptuoso dos líderes. O casamento de Baby Doc com a filha de um rico negociante de café, em 1980, custou 5 milhões de dólares. Enquanto a mulher gostava de fazer compras no estrangeiro, o ditador dava passeios de iate e conduzia carros de corrida.

De regresso ao Haiti, nos últimos tempos Baby Doc tinha uma vida mais discreta, mas costumava ser visto na capital, em cerimónias do governo ou a jantar com amigos.

jose.c.saraiva@sol.pt