Politica

Crato cercado

O ministro da Educação está sob fogo cerrado. O PS pede a sua demissão e sucedem-se os artigos de opinião sobre o caos nas escolas. No PSD garante-se que a situação está a ser corrigida e desvaloriza-se, mas admite-se uma falha na comunicação e atiram-se culpas para o secretário de Estado do CDS Casanova de Almeida, que só ontem veio a público explicar-se. Mas Passos não vai deixar cair o ministro.


“Há claramente um problema de comunicação. O processo tem sido mal comunicado”, comenta ao SOL um deputado do PSD, que se mostra incomodado com a demora de Casanova de Almeida em dar a cara pelos erros na colocação de docentes. “É ele quem mais percebe de concursos de professores e devia ter falado mais cedo”, defende o social-democrata, que acredita ter havido “indicações do CDS” para Casanova aparecer o menos possível.

De resto, já no fim-de-semana, o deputado do PSD Duarte Marques assumia à Lusa o desconforto a com a situação: “É lamentável o que aconteceu com o concurso de professores e mais lamentável que o secretário de Estado da Administração Escolar não venha a terreiro pedir desculpa, explicar o sucedido e tranquilizar os professores, até porque há muitos que já alugaram casas e que já começaram a organizar as suas vidas e agora não sabem o que lhes vai acontecer”.

“Há muito burburinho”, reconhece outro deputado laranja, que admite os custos políticos para o Governo dos problemas na Educação e na Justiça, mas confia que a situação se irá normalizar nas próximas semanas.

“Na Justiça já está a compor-se. Na Educação ainda deve haver mais duas ou três semanas complicadas”, estima o social-democrata.

Pelo meio, o ministro Nuno Crato vai sofrendo o desgaste político das notícias e artigos de opinião sobre os problemas no arranque do ano lectivo.

“Após o homérico desastre que está a ser o início do actual ano lectivo, por culpa exclusiva dos serviços do ministério da Educação, somos obrigados a perguntar que mais é preciso acontecer para que Nuno Crato se decida a apresentar o seu pedido de demissão”, questiona João Miguel Tavares, na sua crónica no Público.

No mesmo jornal, o professor Paulo Guinote fala na “implosão do Ministério da Educação” e considera que os erros que estão a atrasar a colocação de professores em escolas TEIP e com contrato de autonomia “são erros que resultam de um MEC (Ministério da Educação e Ciência) incapaz de dar resposta à tarefa mais básica que existe no sector: fazer o ano lectivo arrancar na maior normalidade possível para os alunos”.

Esta terça-feira, o socialista Marcos Perestrello reclamou mesmo a demissão de Crato. “Se o senhor ministro da Educação não assumir as suas responsabilidades, resta ao primeiro-ministro assumi-las por ele. E se o senhor primeiro-ministro não demitir o ministro da Educação, na sequência do que se sucedeu neste início de ano lectivo, [...] não o faz porque não encontra ninguém para o substituir”, atacou o vice-presidente da bancada parlamentar do PS.

Perestrello considera, aliás, que a situação que se vive nas escolas é um sinal de que “o Governo e a maioria estão num claro processo de desagregação acelerada”.

Durante a manhã, Casanova de Almeida tinha assumido aos microfones da TSF que o seu lugar “está à disposição” desde que iniciou funções no Ministério.

Contactada pelo SOL, fonte oficial do MEC não quis fazer quaisquer comentários.

Passos Coelho afasta demissão 

Apesar de toda a pressão, o primeiro-ministro afasta a hipótese de deixar cair o seu ministro da Educação.

“Só para dizer que o senhor ministro da Educação e Ciência há-de um dia regressar à sua universidade, como ele próprio disse, mas não é agora”, declarou Passos aos jornalistas à saída de uma cerimónia na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, à qual chegou no mesmo carro que Crato.

margarida.davim@sol.pt

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