Politica

Costa não ‘compra viagens’ sem destino

António Costa em Belém confirmou a mensagem de Ferro Rodrigues no debate quinzenal: o PS não está disponível para acordos políticos com o Governo. À saída da audiência com Cavaco Silva o novo homem forte do PS demarcou-se de entendimentos em abstracto, usando a imagem de uma viagem sem destino conhecido.

“Os consensos não são em abstracto. É como eu perguntar: ´Quer fazer uma viagem comigo?´. A sua resposta normal é: ´Mas viagem para onde?´".  Usando outra imagem, também Ferro Rodrigues usou a sua primeira intervenção no debate quinzenal com o primeiro-ministro, para recusar entendimentos com o Governo.

“Estão muito enganados se pensam que depois do que fizeram ao país vão atrelar o PS a este comboio do empobrecimento e da austeridade. Não vão”, afirmou o novo líder parlamentar socialista, também esta manhã.

Costa deixou igualmente claro que não haverá convergência em torno das políticas do Governo. "O não funcionamento de sectores fundamentais da normalidade do Estado - como o concurso de professores e a situação da justiça evidenciam - são obviamente factores de perturbação que em nada contribuem para dar ao país a confiança que tem de ter para enfrentar os desafios do futuro", afirmou, sublinhando a ser “urgente que o país retome confiança”.

Em Belém, o número um do PS agradeceu ao Cavaco Silva tê-lo recebido em audiência. “É importante que os diversos agentes políticos possam falar e que falem, falta muito diálogo em Portugal e o diálogo é um factor importante para dar confiança para reforçar a tranquilidade e a certeza nas expectativas do futuro. É importante que isso aconteça e quero agradecer ao senhor Presidente da República a disponibilidade que teve para esta conversa", afirmou.

Costa não esclareceu quem pediu o encontro. Ontem, fonte de Belém tinha dito que resultava de uma “convergência de vontades” entre as duas partes. “Naturalmente, queria falar com o senhor Presidente da República, que também teve a gentileza de querer falar comigo”, disse, por seu turno, Costa.

A antecipação do calendário eleitoral não foi abordado na reunião de Belém, esclareceu o candidato do PS a primeiro-ministro. Mas Costa não abandona o tema. "Se não for para esta legislatura espero que seja para a próxima", disse.

No Parlamento, Ferro Rodrigues tinha apelado a que as legislativas fossem antecipadas. “Deveria ser um pacto a fazer-se entre as principais forças políticas e o Presidente da República e também para não encavalitar as legislativas nas presidenciais fazendo coincidir o calendário europeu com o português, para acabar com este calvário e dar lugar à esperança”, argumentou em plenário.

Passos Coelho, na resposta, foi claro no ‘não’: “Nós respeitaremos os prazos constitucionais e, portanto, não vejo nenhuma razão para que nós não possamos ter as eleições quando elas devem ter lugar. Não vejo nenhuma razão para isso”, afirmou o primeiro-ministro.

manuel.a.magalhaes@sol.pt