Internacional

Ministro belga diz que “colaboracionistas nazis tinham as suas razões”

Jan Jambon foi indicado para ministro da Administração Interna e já está a causar polémica na Bélgica. Este fim-de-semana foi conhecida a sua participação numa conferência de uma organização ligada a antigos membros das SS, em 2001. A polémica acendeu, mas não ficou por aqui: Jambon veio agora dizer que “as pessoas tinham as suas razões” para colaborar com o regime nazi.

Membro do Partido Nacionalista Flamengo N-VA, Jan Jambon  fez declarações a vários diários francófonos, afirmando que o colaboracionismo era “errado”, mas que “as pessoas tinham as suas razões” para colaborar com os nazis na Segunda Guerra Mundial.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a maior parte dos colaboracionistas belgas eram flamengos e o tema ainda é delicado entre os francófonos da Bélgica.

A polémica tem sido recorrente e a conferência onde Jambon esteve em 2001, organizadas pelo  Saint Martin's Fund, pelo La Libre Belgique e pela Dernière Heure, fez cair um ministro nesse ano. Johan Sauwens, que era ministro do partido nacionalista flamengo Volksunie, acabou por se demitir na sequência do escândalo provocado pela sua presença.

Agora, Jambon admitiu a um jornal belga ter ponderado se a sua presença nessa conferência poderia ser um problema, tendo concluído que o tema nunca chegou a ser levantado.

As sondagens mostram um Jambon fragilizado

Entre as prioridades de Jambon para a pasta da Administração Interna estão o combate ao radicalismo islâmico, a revisão do sistema de benefícios atribuídos aos polícias belgas e a reforma do sistema de combate a incêndios.

Uma sondagem do Le Soir mostra um Jan Jambon fragilizado: 33% dos belgas consideram que não tem condições para assumir o cargo de ministro da Administração Interna. E é entre os francófonos que a taxa de rejeição é maior:44%.

O primeiro-ministro Charles Michel, que conseguiu formar governo depois de cinco meses de negociações, tem índices de popularidade ainda mais baixos. Segundo o Le Soir, 58% dos belgas considera que não tem condições para conduzir o executivo.

margarida.davim@sol.pt