Internacional

Obiang paga 30 milhões por branqueamento de capital

Teodoro Nguema Obiang, filho mais velho do Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, foi acusado pelo Departamento de Justiça norte-americano de branqueamento de capital e terá que devolver 30 milhões de dólares (cerca de 22 milhões de euros).

Ficou acordado, na sexta-feira, que Nguema Obiang – vice-presidente do novo país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – tem de vender a sua mansão em Malibu, Califórnia, assim como um Ferrari e parte da sua colecção de artigos de Michael Jackson.

Leslie Caldwell, assistente do procurador-geral, arrasou por completo o filho de Teodoro Obiang. Os “desfalques e extorsões” permitiram que Teodorín (como é conhecido) saqueasse “descaradamente” o seu país para conseguir ter “um luxuoso estilo de vida”, escreveu Caldwell em comunicado. “Depois de ter arrecadado milhões de dólares em subornos, Nguema Obiang veio para a farra nos EUA”, concluiu.

Este é o primeiro caso nos EUA em que um membro da família de um chefe de Estado é visado e obrigado a pagar devido a actos de corrupção.

O caso foi instaurado em 2011 e na altura os tribunais afirmavam que Teodorín teria que pagar quase 80 milhões de dólares – cerca de 60 milhões de euros. Além de um valor bem mais baixo, o vice-presidente da Guiné Equatorial poderá ficar com o seu jacto privado – avaliado em cerca de 30 milhões de euros – bem como a famosa luva branca de cristais de Michael Jackson. 

Os documentos do tribunal mostram que Teodorín recebe um salário inferior a 100 mil dólares por ano (74 mil euros), contudo, usando a sua influência no Governo, conseguiu arrecadar mais de 300 milhões de dólares (cerca de 220 milhões de euros) em bens. Segundo o Financial Times, Nguema Obiang justificou estes números dizendo que os adquiriu “de acordo com as leis” da Guiné Equatorial e “através de negócios e acordos” dentro e fora do seu país.

Dos 30 milhões de dólares, que terá que pagar, uma parte fica nos EUA - cerca de 10 milhões de dólares – e o restante será para caridade, “para benefício do povo da Guiné Equatorial”, esclareceu o Departamento de Justiça norte-americano.

O novo membro da CPLP é o país da África subsaariano com o maior rendimento per capita, contudo mais de três quartos da população vive abaixo do limiar da pobreza, segundo o Fundo Monetário Internacional. A organização não governamental Freedom House atribui ao país as piores notas em termos de liberdades civis e direitos políticos nos rankings que faz. 

Teodoro Obiang é o líder africano há mais tempo no poder – 35 anos. O seu filho mais velho não é o único membro da família com cargos políticos. Gabriel Obiang, filho mais novo, é o ministro do petróleo (maior e quase exclusiva fonte de rendimento do país).  

miguel.mancio@sol.pt