Economia

Ricardo Salgado ‘deu a volta’ ao Banco de Portugal

O Banco de Portugal (BdP) detectou, a 3 de Dezembro do ano passado, riscos de insolvência da Espirito Santo International (ESI) e enviou uma carta em que dava 27 dias a Ricardo Salgado para resolver os problemas financeiros, isto é, “isolar o BES de todos os riscos elevados às entidades não financeiras para evitar riscos de contágio”. 

Segundo o jornal i, o BdP analisou as contas do GES e apercebeu-se uma dívida de 6,3 mil milhões de euros e um buraco financeiro de 1300 milhões de euros. Dessa dívida, “1,3 mil milhões de dívida não tinha sido registada nas contas”, ou seja, na carta enviada no início de Dezembro, o regulador já sabia o que se passava.

No dia 3 de Dezembro, Ricardo Salgado e outros membros do Conselho Superior do GES tiveram uma reunião, às 16h, com o governador do BdP e “saiu satisfeito”. Contentamento que durou apenas umas horas, uma vez que às 19h, recebeu a carta do regulador.

Mas depois de um telefonema do líder do grupo Espírito Santo (GES) ao vice-governador do BdP, Pedro Duarte Neves – “Esta carta é inexequível, inexequível”, afirmou Ricardo Salgado – o regulador voltou atrás. O Bdp cedeu e “traçou plano menos exigente ao GES: a linha de crédito que devia ser de um montante igual ao total da dívida emitida em papel comercial passou, por exemplo, a ser de 750 milhões com a garantia das acções da Espírito santo Finantial Groupa (ESFG)”

‘Eles tinham pedido que levantássemos uma linha de credito até ao fim do ano do montante da divida. Isso ficou reduzido a levantar os 750 milhões com a garantia das nossas acções da área financeira, da ESFG, e esse crédito tem de estar lá durante o mês de Janeiro. […] Vamos ter de nos envolver com alguns bancos internacionais’, referiu Ricardo Salgado aos membros do Conselho Superior, no dia 17 de Dezembro, citado pelo i.

No dia 23 do mesmo mês, o BdP voltou a impor medidas para separar o BES dos riscos da área não financeira como “a criação de uma linha de crédito e a venda de activos pela ESI”. A maioria destas medidas não foram cumpridas.

Só em Março, o regulador obrigou à criação de uma provisão com 600 milhões de euros “para cobrir o risco de não pagamento da dívida que tinha sido emitida na rede de retalho do BES”.

Apesar do não cumprimento das exigências do BdP e da criação de uma provisão três meses depois, a família Espírito Santo só foi afastada em Junho e, no mês seguinte, o regulador que a situação do banco estava sólida e que não havia risco sistémico.

“Até essa data nunca tinha sido revelado que o grupo não tinha cumprido parte do plano que lhe havia sido imposto”, refere o i. 

SOL