Desporto

Em 10 anos Ronaldo e Quaresma ainda não fizeram 10 jogos juntos

Não jogavam juntos há mais de dois anos. A última vez acontecera em Junho de 2012, num particular com a Turquia, e não coincidiram em campo mais do que três minutos. Foi quase sempre assim, desencontrados, que andaram quando partilharam o balneário, quer no Sporting, quer na Selecção: ou joga um ou joga outro; os dois ao mesmo tempo só em caso de desespero.

Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma carregam desde jovens o rótulo de incompatíveis e na terça-feira, na Dinamarca, Fernando Santos deu-lhes dez minutos para resolverem o jogo a favor de Portugal. Em cima do apito final, o segundo centrou para o primeiro fazer o único golo do encontro e sentenciar um triunfo importante rumo ao Euro-2016.

“Já tinha saudades de Quaresma”, soltou Ronaldo, para depois o companheiro retribuir o sentimento e acrescentar sobre o capitão: “É fácil jogar com ele”.

Os treinadores que trabalharam com os dois em simultâneo revelaram sempre uma tendência para discordar dessa ideia. De Laszlo Boloni no Sporting a Paulo Bento na Selecção, passando por Luiz Felipe Scolari e Carlos Queiroz também na equipa das quinas, ninguém investiu declaradamente na dupla. Quando o fizeram foi no decorrer dos jogos, como tentativa de reagir a resultados adversos.

Fernando Santos, em estreia como seleccionador, seguiu o padrão, primeiro no particular com a França (derrota por 2-1 em Paris) e depois na visita a Copenhaga. Mas o sucesso imediato da aposta já deve ter compensado a frustração que nunca escondeu por não os ter podido treinar no Sporting: quando chegou a Alvalade, no Verão de 2003, Quaresma tinha sido transferido para o Barcelona e, ao fim de uma semanas, viu Ronaldo partir para o Manchester United.

Na época anterior tinham jogado à vez sob o comando de Laszlo Boloni, o treinador que os lançou na equipa principal dos 'leões', depois de terem sido companheiros nas camadas jovens. O romeno juntou-os em 18 jogos, mas apenas num deles permitiu que permanecessem em campo durante os 90 minutos (1-1 com o Nacional). E após uma derrota por 3-0 com o Gil Vicente, à 9.ª jornada, em que lhes deu a titularidade, Boloni só repetiu essa 'ousadia' nas últimas três jornadas da temporada, já com o campeonato perdido e mais para satisfazer os adeptos.

No total, Ronaldo e Quaresma partilharam o relvado durante 617 minutos na equipa sénior do Sporting - o que representa menos de sete partidas completas.

Nem dez jogos completos

Com a saída de Alvalade para destinos diferentes, a Selecção passou a ser a única casa para Ronaldo e Quaresma coabitarem. Mas desde que Scolari os estreou como dupla em Novembro de 2004 (45 minutos numa goleada de 5-0 ao Luxemburgo) até hoje só coincidiram em 22 jogos, sendo que em apenas oito foram ambos titulares (sete com Scolari e um com Paulo Bento).

Com o argumento de que expõem a equipa defensivamente quando utilizados em simultâneo, ao longo destes dez anos não cumpriram mais do que um jogo do princípio ao fim (derrota por 3-1 num particular com a Itália, em 2008). Os 887 minutos de jogo que somam em parceria confirmam que os seleccionadores nunca depositaram grande fé na solução, pois equivalem a menos de dez jogos completos. Nem um por ano.

Agora que Ronaldo está a quatro meses de se juntar a Quaresma na casa dos 30 anos, Fernando Santos parece apostado em tirar melhor proveito da conjugação dos dois talentos. E a vitória na Dinamarca, que recolocou Portugal na órbita do Euro-2016 depois da derrota caseira com a Albânia, veio reforçar a intenção do seleccionador.

Além dos três pontos conquistados em Copenhaga, nesta jornada dupla a Selecção das quinas beneficiou dos empates da Sérvia na Arménia e da Dinamarca na Albânia para recuperar o estatuto de favorita no Grupo I. Refira-se também que o Sérvia-Albânia foi suspenso após os jogadores das duas equipas se terem envolvido em confrontos físicos. Na origem esteve um drone que sobrevoou o relvado com uma bandeira 'explosiva': nela aparecia desenhado um mapa da Albânia que englobava o Kosovo e o Sul da Sérvia. A UEFA poderá castigar as duas selecções com uma derrota.

rui.antunes@sol.pt