Internacional

Assad de volta às armas químicas

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), com sede em Haia, denunciou o uso “sistemático” do cloro como arma, em vários locais no norte da Síria.

O Instituto para o Estudo da Guerra na Síria compilou 18 denúncias, de fontes sírias, de ataques com gás cloro feito pelo regime, desde Agosto. O último ataque reportado foi na semana passada, quando as forças governamentais, alegadamente usaram gás cloro contra os rebeldes na área suburbana de Damasco, Jobar.

O primeiro ataque, segundo o Instituto, foi no dia 19 de Agosto – no mesmo dia que a OPAQ afirmou ter terminado o desmantelamento de stock de armas químicas do regime de Assad.

Como pode o regime de Assad estar a recorrer a armas químicas, após a conclusão da operação de desmantelamento? A razão é que o cloro não foi incluído nas substâncias químicas que o regime foi obrigado a entregar, segundo o The Washington Post.

A 21 de Agosto de 2013, um ataque com gás sarin – um dos mais nocivos – em Ghouta (Síria) matou mais de 1.400 civis. Barack Obama ameaçou intervir no conflito sírio se Damasco não destruísse e proibisse as armas químicas.

Estado Islâmico também usa

O autodenominado Estado Islâmico (EI) terá usado gás cloro num ataque contra tropas iraquianas na cidade de Duluiyah – cerca 100 quilómetros a norte de Bagdade. “Foi uma explosão estranha. Vimos fumo amarelo no céu”, contou Khairalla al-Jabbouri, um habitante da cidade, ao jornal The Washington Post.

Segundo fontes governamentais iraquianas, citadas pelo jornal norte-americano, não houve nenhuma morte, mas 11 polícias ficaram feridos devido à exposição ao cloro. “Senti-me completamente sufocado, vomitei e não conseguia respirar”, disse Ammer Jassim Mohammed, uma das vítimas do ataque de 15 de Setembro. No mesmo dia, os 11 polícias foram ao hospital para ser diagnosticados. Sofreram de envenenamento por cloro, foi o diagnóstico dos médicos.

“Eles fizeram isto para criar o terror. Claro que estamos muito preocupados”, afirmou um funcionário do Ministério da Defesa iraquiano.

O EI controla uma fábrica de armas químicas no norte do país – há 20 anos que está encerrada –, aumentando a veracidade dos relatos das autoridades iraquianas. Os peritos consideram, contudo, que as 2.500 bombas de cloro, da fábrica, já estão inutilizáveis.

Segundo a Convenção de Armas Químicas, o gás cloro pode ser utilizado para fazer uma arma química e, por isso, quem a utiliza está a incorrer num crime de guerra.

miguel.mancio@sol.pt