Economia

Avaliações do BCE provam "resiliência" dos bancos portugueses

O Banco de Portugal considerou hoje que os resultados dos exames feitos pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) demonstram a capacidade de resistência e os níveis de capitalização adequados dos bancos portugueses. 

"Os resultados do AQR ['asset quality review' - avaliação da qualidade de activos] e do cenário base do teste de esforço (2014-2016) permitem verificar a resiliência dos bancos portugueses abrangidos pelo exercício e demonstram que têm níveis de capitalização adequados", lê-se no comunicado emitido pelo banco central português.

A entidade liderada por Carlos Costa realçou que "em ambos os casos, todos os bancos registam rácios de capital superiores ao valor de referência de 8%".

O BCE divulgou hoje os resultados das avaliações feitas a 130 bancos de 22 países europeus, entre os quais os portugueses Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco BPI e Banco Comercial Português (BCP).

De fora ficou, pelo menos para já, o Novo Banco, que deveria substituir o Banco Espírito Santo (BES) na lista das entidades portuguesas sob avaliação, mas cujos exames não foram concluídos a tempo de serem englobados na divulgação conjunta de resultados.

Às 11:00 (hora de Lisboa) foram conhecidos os resultados da avaliação à qualidade dos activos dos bancos e dos testes de 'stress', num exercício feito em conjunto pelo BCE e pela EBA com vista a avaliar a capacidade de resistência do sector perante uma crise económica e financeira.

O BCP foi o único dos três bancos portugueses que chumbou no cenário mais adverso dos testes de 'stress' conduzidos pelas autoridades europeias, enquanto a CGD e o BPI tiveram nota positiva.

Para passarem nos testes, os bancos têm que dispor de um rácio de capital 'Common Equity Tier 1' (CET1) (rácio de capital que está a ser usado para medir a solvabilidade dos bancos) mínimo de 8% no cenário económico e financeiro base e de 5,5% no cenário adverso.

No caso da banca portuguesa, os testes de 'stress' incluíram um cenário adverso no qual o Produto Interno Bruto (PIB) se contrai 0,8% este ano, 2,3% em 2015 e 1,1% em 2016.

Além da queda da economia, os bancos ainda foram colocados perante um aumento dos juros da dívida soberana a dez anos (para 7,4% este ano, 7,1% em 2015 e 7,2% em 2016) e a subida da taxa de desemprego (17,2% este ano, 18,2% em 2015 e 17,3% em 2016). Quanto à inflação, no cenário virtual adverso esta será de 0,7% este ano, 0,1% em 2015 e menos 0,7% em 2016.

O cenário mais negativo contempla também um novo problema no mercado imobiliário, no qual os preços dos imóveis sofreriam em Portugal uma correcção de 3,1% este ano e de 5% em 2015 e em 2016.

O Banco de Portugal realçou hoje que o cenário adverso do teste de esforço é "de improvável ocorrência" e "particularmente gravoso, dado que o ponto de partida do exercício (Dezembro de 2013) era muito desfavorável em resultado do desempenho negativo da economia portuguesa no passado recente".

Lusa/SOL