Politica

Ferro Rodrigues aconselha Passos a ouvir Ferreira Leite e Bagão Félix

O líder parlamentar socialista aconselhou esta quinta-feira o primeiro-ministro a ouvir Manuela Ferreira Leite ou Bagão Félix, com Passos Coelho a dizer não sentir-se incomodado, porque está habituado a adversidades, vindas ou não da sua área.

Ferro Rodrigues falava no início do debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2015, depois de ter feito uma alusão à crítica que Pedro Passos Coelho fizera no sábado passado, também no parlamento, sobre comentadores e jornalistas com "preguiça", que são "orgulhosos" e tiram conclusões "patéticas".

"Em vez de catalogar os seus antigos companheiros, presidentes do PSD e outros líderes de opinião, aconselho-o a ouvi-los melhor, sobretudo a ouvir bem a dra. Manuela Ferreira Leite e o dr. Bagão Félix. Tem muito a aprender, senhor primeiro-ministro", defendeu o ex-secretário-geral do PS, numa interpelação que abriu com a ideia de que Pedro Passos Coelho "vive como sendo primeiro-ministro de um país imaginário".

"Mas os portugueses, infelizmente, têm um primeiro-ministro concreto, que é o senhor, que tem repetido com teimosia um conjunto de políticas negativas e incompetentes", sustentou o líder da bancada socialista.

Na resposta, Pedro Passos Coelho caracterizou como "extraordinário" o facto de ouvir Ferro Rodrigues a citar os antigos ministros Manuela Ferreira Leite (social-democrata) e Bagão Félix (independente, democrata-cristão).

"Ao contrário do que supõe, essa citação não me incomoda, porque à frente do Governo estou muito habituado a lutar com adversidades, venham ou não da minha área política. Encaro-as sempre com total normalidade democrática e nunca deixei de convidar os meus adversários ou concorrentes para poderem estar próximos de mim e assim poderem acompanhar o ímpeto reformista do país", disse, recebendo uma salva de palmas.

Já sobre a ideia de Ferro Rodrigues de que o líder do executivo vive num país imaginário, Pedro Passos Coelho devolveu que essa observação "tem pouca imaginação", fazendo neste então mesmo contexto uma referência aos indicadores de confiança do Instituto Nacional de Estatística (INE), que se encontraram "ao nível mais elevado desde 2012".

Perante o primeiro-ministro, o presidente do Grupo Parlamentar do PS considerou que a proposta de Orçamento ultrapassa até as características de patético, preguiçoso ou orgulhoso.

"É um Orçamento mais do que orgulhoso, sendo até extremamente arrogante, porque prevê um crescimento de 1,5 por cento atingido pela procura interna, quando este Governo prometera mudar o perfil da economia nacional. Também é arrogante porque conserva a austeridade expansionista, estimando um investimento na ordem dos dois por cento, o que constitui um desastre", apontou Ferro Rodrigues. 

Ainda de acordo com o líder da bancada socialista, o Orçamento é também "preguiçoso, porque continua a aumentar a carga fiscal e ataca os mais pobres" com a imposição de um teto para as prestações sociais.

"Mas é ainda patético quando o Governo não consegue assegurar o funcionamento normal de sistemas e de instituições democráticas fundamentais, como as da justiça e da educação. O que é patético é não terem feito a reforma do Estado e agora a meses de eleições vierem pedir o apoio do PS para tudo", acrescentou.

No entanto, para Pedro Passos Coelho, em 2014, haverá crescimento em Portugal este ano, o que se repetirá no próximo ano.

"Veja o senhor deputado que já estamos a discutir a dimensão do crescimento, mas não sei se já se deu conta dessa pequenina alteração", reagiu com ironia o primeiro-ministro, numa alusão aos anos de recessão que marcaram a vinda da troika para Portugal.

De acordo com Pedro Passos Coelho, Portugal apresenta agora "uma diferença de paradigma", sobretudo nas exportações.

"Sei que o PS passou estes três anos a olhar para as eleições que desejariam que acontecesse antes que o ciclo fechasse. Por isso, auto convenceu-se de resultados que mais lhe interessariam para fazer o seu discurso eleitoral", contra-atacou ainda o primeiro-ministro.

Mas Pedro Passos Coelho foi ainda mais longe e devolveu a crítica ao líder parlamentar do PS: "Quem está aqui alheado da realidade, num país imaginário, tem sido o PS".

Sobre a reforma do Estado, o primeiro-ministro considerou que se trata de um processo "contínuo" e que foi iniciado nesta legislatura.

"Conseguimos logo no início do mandato eliminar estruturas a mais, encolhemos as despesas do pessoal político (incluindo elementos dos gabinetes dos membros do Governo), mas é verdade que não conseguimos introduzir na área das pensões públicas a mais completa reforma que pretendíamos", declarou o líder do executivo, numa alusão às decisões do Tribunal Constitucional.

Lusa/SOL