Economia

Autorizado investimento de 14 milhões nos Estaleiros Navais de Peniche

O Ministério da Agricultura e Pescas anunciou hoje que autorizou a entrada para os Estaleiros Navais de Peniche de novos accionistas, a Oxicapital e o grupo Amal, que concretizaram o negócio por mais de 14 milhões de euros.


A autorização dada com a assinatura de um novo contrato de concessão vem permitir a entrada de privados, para solucionar as graves dificuldades financeiras com que a empresa se confrontou nos últimos meses e garantir os 300 postos de trabalho", revela uma nota de imprensa hoje divulgada.

Fonte oficial do Ministério da Agricultura e Pescas adiantou à agência Lusa que o novo contrato de concessão, que deverá ser homologado na próxima semana, prevê o alargamento da área dos estaleiros para mais 20 mil metros quadrados.

Segundo a tutela, o acordo permite não só "manter a actividade de construção e de estaleiros navais", para satisfazer  as necessidades da frota pesqueira local, como também desenvolver actividades decorrentes da exploração das potencialidades do mar, como a energia das ondas.

Enquanto responsável pela montagem de enormes plataformas que se movimentam debaixo de água com a força das correntes marítimas para produzir energia, a empresa é parceira no projecto "Wave Roller", um investimento de 25 milhões de euros na construção de um parque de energia das ondas até 2017, com envolvimento de capitais finlandeses e da portuguesa Eneólica.

De acordo com a tutela, a requalificação dos estaleiros implica um "investimento superior a 14 milhões de euros, ao longo dos próximos anos" na área portuária concessionada.

Os Estaleiros Navais de Peniche, detidos por privados, decidiram avançar com um processo de insolvência extrajudicial junto do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), para renegociar com os seus credores dívidas de um montante global de 15 milhões de euros.

Entre os credores, estavam a banca, fornecedores e o Estado.

Na nota de imprensa, a tutela adianta que a reestruturação e revitalização dos estaleiros permite "encargos junto do Estado, Segurança Social e Fazenda Publica, além de planos de pagamento com as entidades bancárias e fornecedores".

Contactada pela agência Lusa, a antiga administração liderada por Carlos Mota, que ainda se mantém em funções, escusou-se a adiantar pormenores do acordo, sublinhando apenas, por escrito, que para o futuro dos estaleiros contribuíram credores e trabalhadores da empresa e também a Docapesca.

O Ministério da Agricultura anunciou ainda investimentos de 13,3 milhões de euros dentro do porto de Peniche, nomeadamente com a criação de duas fábricas de conservas e duas unidades de transformação do pescado, que vão criar uma centena de novos postos de trabalho.

Lusa/SOL