Sociedade

Mulheres assassinadas recordadas numa concentração e vigília

Quatro associações de mulheres promovem hoje uma concentração em Lisboa e uma vigília em Coimbra para evocar a memória das mulheres assassinadas em Portugal, que este ano são já trinta e duas.

A concentração em Lisboa, marcada para as 15h00 frente à Maternidade Alfredo da Costa, foi convocada pela UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, Associação de Mulheres contra a Violência e pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas.

Em Coimbra, a vigília é promovida pelo Movimento Cívico Nós, Mulheres e está convocada para as 20h00 nas Escadas Monumentais

"O objectivo das duas iniciativas é o mesmo, lembrar as mulheres que foram assassinadas, dar alguma visibilidade e fazer um apelo à comunidade para que se junte a nós na lembrança destas mulheres que morreram de forma tão fatídica", disse à agência Lusa Elizabete Brasil, da UMAR.

Esta acção, juntamente com outras que se vão realizar, "é um grito de alerta" que pretende unir as pessoas no combate ao femicídio (uma forma de violência letal, que tem como contexto particular o alvo ser uma mulher e o agressor, o seu parceiro amoroso), disse.

Elizabete Brasil disse que, dos dados que a UMAR dispõe, não se pode dizer que há mais mortes de mulheres em Portugal. "No âmbito do homicídio, o que vemos é que o homicídio baixa, mas o homicídio contra as mulheres, no âmbito das relações de intimidade, não".

"É algo que é constante e permanente na nossa sociedade. O que me parece é que nós hoje estamos mais sensíveis para isto e mais intolerantes face a esta questão", sustentou.

A iniciativa de hoje pretende "dar voz" ao movimento de pessoas que entende que esta matéria "tem de estar centrada na agenda política e na agenda pública e convocar todos e todos para o seu repúdio", defendeu.

Sobre o local da iniciativa em Lisboa, Elizabete Brasil explicou que no jardim, em frente da Maternidade Alfredo da Costa, já existe uma placa evocativa às mulheres que foram assassinadas na cidade de Lisboa, colocada há dois anos pela Câmara Municipal de Lisboa.

"Entendemos que aquele seria o local para lembrar todas as outras mulheres que também foram assassinadas no contexto das relações de intimidade e familiares próximas", sublinhou.

Lusa/SOL