Desporto

Táctica made in Portugal

Chegou em Julho a Valência como um desconhecido, catalogado pela imprensa do país vizinho como  “aposta arriscada”. Sugerido por Jorge Mendes a Peter Lim, novo dono do clube, Nuno Espírito Santo ainda nem tinha entrado no Estádio Mestalla e já uma casa de apostas o posicionava como principal favorito a inaugurar a lista de despedimentos na Liga Espanhola.

A bagagem que levava de Vila do Conde não convencia os adeptos valencianos, que tiveram de recorrer à internet para saber quem era o treinador que levara o Rio Ave à Europa. Agora, ao fim de quatro meses em Espanha, já não há quem não conheça o 'Espírito Santo' português. 

O Valência ocupa o quarto lugar, a dois pontos do líder Barcelona, e igualou o seu melhor arranque dos últimos 19 anos. Soma 20 dos 27 pontos possíveis, com cinco vitórias, dois empates e apenas um desaire na Corunha.

Os adeptos renderam-se. E os apostadores que investiram numa saída precoce só ganharam prejuízo: Nuno foi considerado o melhor treinador do mês de Setembro em Espanha e está de pedra e cal. “Queremos renovar contrato com o Nuno e ele já o sabe”, revelou o presidente Amadeo Salvo ao jornal Superdeporte.

O homem que comanda a equipa sensação em Espanha não é o único técnico português em destaque na Europa esta época. José Mourinho e André Villas-Boas lideram em Inglaterra e na Rússia.

O Chelsea tem estado imparável e segue com seis pontos de avanço sobre o Manchester City, actual campeão, nove sobre o Arsenal e o Liverpool e dez sobre o Manchester United. 

“Estamos na frente e isso é muito bom, tanto mais que já jogámos fora com o Manchester City e o United”, lembrou Mourinho após o empate de domingo em Old Trafford (1-1).

Zenit invicto na Liga

Isolado no topo vai também o Zenit de Villas-Boas, líder destacado à 11.ª jornada na Rússia. Depois de ter perdido o título da época passada na última curva, para  o CSKA de Moscovo, o clube de São Petersburgo arrancou a todos o gás e continua invicto, já com quatro pontos de vantagem sobre os campeões. E na Europa tem o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões bem encaminhado, embora não tanto como o Chelsea.

Um sinal da afirmação do treinador português é o facto de ser o país mais representado na prova-rainha da UEFA. Seis no total: além de Mourinho e Villas-Boas, juntam-se à lista Jorge Jesus (Benfica), Marco Silva (Sporting), Leonardo Jardim (Mónaco) e Paulo Sousa (Basileia).

A experiência além-fronteiras destes dois últimos não está a correr tão bem. Se na Europa se mantém tudo em aberto para chegarem à fase seguinte, a nível interno Leonardo Jardim e Paulo Sousa na Suíça ainda procuram o melhor rumo.

O antigo técnico do Sporting não tem tido vida fácil no Mónaco: perdeu James Rodríguez, Radamel Falcao e Abidal ainda na pré-época, o clube desinvestiu e o plantel tarda em adaptar-se ao seu estilo de jogo. Descontentes com o desempenho da equipa, que ocupa o oitavo lugar, os adeptos monegascos já pediram a saída de Jardim.

Na Suíça, o Basileia é campeão há cinco anos consecutivos e tudo corria de feição a Paulo Sousa até ao início do mês, quando uma derrota no terreno do St. Gallen permitiu ao FC Zurique passar para a frente. Ainda assim, o Basileia segue a um só ponto de distância do líder e os adeptos ganharam ânimo com a vitória sobre o Liverpool na Liga dos Campeões.

Na Grécia, Sá Pinto chegou há um mês ao Atromitos e começou com uma vitória, um empate e uma derrota na Liga.  

hugo.alegre@sol.pt