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Portugueses expulsos estavam a fazer ‘operação mãos limpas’ em Timor

Os sete magistrados e um operacional da PSP de nacionalidade portuguesa que foram expulsos de Timor-Leste estavam a investigar oito membros do Governo de Xanana Gusmão. A notícia é avançada pelo Diário de Notícias, que explica que esta ‘operação mãos limpas’ decorria há cerca de três anos.

Já era conhecido o processo que levou em 2012 à condenação da ex-ministra da Justiça timorense Lúcia Lobato e a investigação que levou à acusação da actual ministra das Finanças Emília Pires – cujo julgamento estava marcado para começar dois dias antes da ordem de expulsão e foi adiado sem data. Mas, esta quarta-feira, o DN revela que estas duas governantes não eram as únicas na mira dos magistrados portugueses a trabalhar em Timor Leste.

Segundo o jornal, estavam a decorrer investigações envolvendo pelo menos oito membros do Governo por suspeitas de corrupção.

O caso da expulsão dos funcionários judiciais portugueses  – com um prazo de 48 horas para abandonarem o país – já levou, entretanto, a ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz a anunciar, esta quarta-feira, a suspensão de todos os programas de cooperação entre Portugal e Timor.

De resto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, já tinha feito saber que Portugal estava a reavaliar a continuação dos programas de cooperação enquanto não tivesse respostas satisfatórias das autoridades timorenses sobre o caso.

Também esta quarta-feira, em declarações à Lusa, o chefe da diplomacia timorense assegurou que todos esclarecimentos serão prestados em breve pelo ministro da Justiça, que virá a Portugal falar directamente com o Governo português para explicar o sucedido.

“O Ministro da Justiça foi incumbido pelo Governo para ir até Portugal e explicar, em pormenor, a decisão do parlamento nacional, assim como a decisão do Conselho de Ministro", afirmou José Luís Guterres.

Recorde-se que Xanana Gusmão tinha acusado de incompetência os magistrados portugueses, explicando em entrevista à Rádio Televisão de Timor que os erros em processos que opõem o Estado timorense a companhias petrolíferas já custaram milhões ao país.

“Há muitos casos em que não são contestados os factos, não há fundamentação legal para defender o Estado, misturam os processos todos, mesmo que sejam sete questões diferentes, põem tudo junto”, afirmou Xanana, que acusa os magistrados de fazerem cópias de uns processos para os outros, chegando a copiar até os erros ortográficos.

margarida.davim@sol.pt