Sociedade

Aumentam burlas online

O caso aconteceu já este ano, em Lisboa. Um iPhone à venda por 400 euros no site Olx chamou-lhe a atenção. Contactou o vendedor e recebeu em casa uma caixa em tudo semelhante à da marca. Mas só depois de pagar é que abriu a encomenda: lá dentro, um telemóvel banalíssimo.

Casos como este, dizem as autoridades, estão a aumentar ao mesmo ritmo que o comércio electrónico. “A grande maioria refere-se a equipamentos de telecomunicações, sendo vulgar o suposto comércio de iPhones”, diz ao SOL Carlos Cabreiro, coordenador da secção de investigação de criminalidade informática e tecnológica da PJ, garantindo que, apesar de não existirem estatísticas que ilustrem o fenómeno, chegam à Polícia Judiciária (PJ) cada vez mais queixas de burlas consumadas através de plataformas como o Olx e de outros sites de compra e venda.

O desfecho dos casos, diz o investigador, é geralmente um de dois: “Ou o produto não chega ou chega algo que não corresponde àquilo que foi encomendado”.

Para evitar esta situação, aconselha Carlos Cabreiro, as pessoas devem, antes de mais, optar por “sites que possibilitem o pagamento contra-entrega” - isto é, só pagarem quando recebem a encomenda e mediante um comprovativo ou factura.

Além disso, quando se trata de comércio em segunda mão, devem escolher “sites de referência, de alguma forma associados à marca original” e desconfiar dos que “apregoam vender novo” mas a preços abaixo do mercado: “Grande parte das burlas ocorre por ganância de quem compra. Se quero um iPhone de uma determinada marca, que custa 600 euros, e se o adquiro num determinado site por metade do preço, estou de alguma forma a descurar a possibilidade de alguém me enganar”.

Carlos Cabreiro lembra ainda que em alguns casos há mesmo o risco de os produtos à venda serem roubados: “Pela ganância do lucro, as pessoas acabam por comprar bens que muito provavelmente podem ser falsificados ou furtados”.

Comprou iPhone roubado

Vasco, músico de 38 anos, aprendeu que o comércio online é “um risco”. Este ano, ofereceu um iPhone à mulher e, como tantas outras vezes, escolheu o Olx, “longe de imaginar que num espaço onde se vendem milhares de coisas há artigos roubados”.

Contactou o vendedor, acertou o preço e fechou negócio. “Como estava novo, até vinha com a caixa, e não foi uma pechincha [pagou 400 euros], não desconfiei”, contou ao SOL.

A surpresa chegou quatro meses depois. Foi contactado pela PJ, que o informou de que o telemóvel tinha sido roubado há alguns meses e o dono continuava à sua procura. Até a caixa, falsificada, não passava de um artifício. “Perceberam que nada tinha que ver com o assunto e que estava de boa fé”, diz Vasco, garantindo que não voltará a fazer negócio sem tomar as devidas cautelas: “No mínimo, devia ter pedido factura”.

No entanto, defende, o Olx devia “assegurar, de alguma forma, que quem vende tivesse de provar que o produto é legitimamente seu”. Caso contrário, “é a mesma coisa que abrir uma loja, contratar um funcionário e não se responsabilizar pelo que essa pessoa vende”.

Questionado pelo SOL, o Olx contrapõe, lembrando que “a veracidade dos dados é da exclusiva responsabilidade do utilizador”, tal como está previsto nos termos e condições de utilização do site.

“A transacção é feita entre as partes, e recomendamos sempre que seja feita de forma pessoal, para evitar a possibilidade de burlas”, diz Miguel Monteiro, CEO da FixeAds, empresa detentora do Olx, acrescentando que a plataforma “não tem acesso ou controlo sobre os artigos ou serviços comunicados nos anúncios nem se envolve na transacção entre comprador e vendedor”. Por isso, conclui, “não garante a qualidade, segurança ou legalidade dos artigos ou serviços anunciados”. 

sonia.graca@sol.pt