Internacional

NATO pode roubar a Putin dois navios de guerra franceses

Um grupo de congressistas norte-americanos escreveu uma carta aberta ao secretário-geral da NATO a incentivar os responsáveis da Aliança Atlântica a comprar ao Governo francês os dois navios de guerra encomendados pela Rússia, cuja entrega tem vindo a ser adiada devido ao conflito que Moscovo mantém com a vizinha Ucrânia.

“Sendo sensíveis aos custos financeiros que a França terá se, acertadamente, recusar vender estes navios de guerra à Rússia, renovamos o nosso apelo à NATO para que compre ou alugue os navios como um activo naval comum” a todos os membros da Aliança, lê-se na carta dirigida por sete membros da Comissão para os Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Desde que a Rússia se envolveu no conflito ucraniano, a França tem vindo a ser pressionada pelos seus parceiros europeus de forma a cancelar este negócio de 1,6 mil milhões de dólares (quase 1,3 mil milhões de euros). Uma hipótese só admitida por François Hollande depois de os rebeldes separatistas ucranianos, apoiados por Moscovo, terem abatido um avião da Malásia Airlines, em Julho.

Na semana passada, o primeiro-ministro russo Dmitri Rogozin disse que “do ponto de vista técnico, o contrato está ser cumprido e dentro dos prazos” e reconheceu que agora tudo depende da “decisão política” do Presidente francês.

Rogozin adiantou ainda ter recebido de Paris a informação de que a entrega dos dois navios seria feita no próximo dia 14 de Novembro, informação entretanto desmentida por Paris. O ministro das Finanças francês, Michel Sapin, lembrou que é necessário que “a situação na Ucrânia caminha para a normalidade, o que ajudará a acalmar os ânimos” e garantiu que na actual situação “não estão reunidas as condições” necessárias para a finalização do negócio.

Uma fonte do Congresso dos EUA, ligada à redacção da carta enviada ao secretário-geral da NATO Jens Stoltenberg, disse à Foreign Policy que a proposta apresentada “é sensível ao facto de os navios já terem sido construídos” e defende ser uma situação em que todos saem a ganhar: “Por um lado ficamos com os navios. Por outro evitamos a desmoralização da NATO, com um dos seus membros a ceder um navio destes. Imaginem os russos a passear com este navio no Báltico”.

Durante a visita de François Hollande ao Canadá esta semana, a imprensa local adiantou a hipótese de o Canadá reforçar a sua frota da Marinha com os dois navios Mistral, equipamento com capacidade para transportar 16 helicópteros, 70 veículos e 450 militares. 

nuno.e.lima@sol.pt