Sociedade

As principais torres de refrigeração vão ser encerradas

O ministro da Saúde anunciou este domingo que serão encerradas ainda esta noite as "principais torres de refrigeração" de empresas na área afectada pelo surto de legionella, em Vila Franca de Xira, enquanto estão a ser avaliadas casas particulares.

O governante, Paulo Macedo, disse que estão a ser feitos "todos estes esforços, por um lado, tendo em vista suspender potenciais focos da doença e, por outro lado, identificar a origem da doença".

"Foram feitas entre ontem [sábado] e hoje várias vistorias pela autoridade de saúde em centros comerciais e hotéis, tendo em vista analisar diversos pontos potenciais de foco da legionella", bactéria responsável por uma pneumonia grave, anunciou, no final de uma reunião de emergência de quase cinco horas para avaliar o surto.

Paulo Macedo adiantou que a Direcção Geral da Saúde e o ministério do Ambiente recomendaram a suspensão das "actividades das principais torres de refrigeração naquela área para limpeza e novas mensurações em termos da sua actividade".

"Esse encerramento nas torres de refrigeração está a ser desencadeado agora", disse o ministro, que falava aos jornalistas pouco depois das 20:00 de hoje.

O governante referiu ainda que, ao início da noite, quatro equipas da inspecção do Ordenamento "estão junto de empresas, também noutras áreas".

Por outro lado, acrescentou que as autoridades estão a fazer avaliações "junto de algumas casas dos moradores", dado registar-se "uma concentração [de casos] em algumas ruas" do concelho de Vila Franca de Xira. 

Nas suas declarações no final da reunião, o ministro explicou que o Instituto Ricardo Jorge tem realizado análises a águas e a torres de refrigeração, mas que os resultados não são conclusivos, sendo necessário aguardar "entre cinco a dez dias" para obter dados mais fiáveis. 

"Não podemos obviamente esperar estes cinco a dez dias para tomar medidas, enquanto temos pessoas que podem estar a ser contagiadas", afirmou. 

O governante mencionou que ainda esta semana a EPAL, que distribui a água para os concelhos da Grande Lisboa, realizou análises que não indicaram qualquer problema na qualidade. 

A este propósito, Paulo Macedo sublinhou a necessidade de "melhorar a legislação" para tornar obrigatória a análise específica à bactéria legionella, embora tenha referido que a generalidade das entidades, como a EPAL ou o SMAS, faz habitualmente este rastreio. 

Está também a ser realizada a "hipercloração da água", indicou, acrescentando que "já hoje foram medidos novamente os níveis de cloro em toda a rede daquela zona e já foram aumentados".  

Questionado sobre se terá havido alguma intervenção humana na causa deste surto, Paulo Macedo disse que "é uma probabilidade muito remota, mas os especialistas não a descartaram". 

O ministro afirmou que as autoridades estão empenhadas em determinar qual é o foco da infecção, mas referiu que há casos de surtos no mundo cuja causa nunca foi identificada. 

O que é a Legionella? Tudo o que precisa de saber sobre o surto que deixou Portugal em alerta, aqui

Lusa/SOL