Economia

BESI vendido por 400 milhões

O processo de venda do Banco Espírito Santo de Investmento (BESI) está praticamente concluído. O SOL sabe que a administração do Novo Banco terá firmado, no final da semana passada, um acordo de princípio com um grupo chinês para a alienação da unidade de investimento por mais de 400 milhões de euros.


No espaço de um mês, é o segundo negócio da esfera Espírito Santo a ser concretizado com chineses. Em meados de Outubro, a ES Saúde foi vendida à Fosun, através da Fidelidade. A operação com o BESI é ainda elucidativa do crescente interesse das entidades chinesas em activos portugueses. O grupo é de Xangai e não está ligado a outros investidores chineses já presentes em Portugal. O SOL contactou o Novo Banco, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.

O BESI e as suas sucursais e filiais foram incorporados no Novo Banco na sequência da medida de resolução do BES aplicada pelo Banco de Portugal a 3 de Agosto.

O negócio com os chineses avança numa altura em que a própria instituição reconhece, no relatório do primeiro semestre, que a sua “actividade deverá, durante os próximos meses, ser negativamente afectada pelos desenvolvimentos decorrentes desta nova realidade”.

O banco de investimento lucrou 2,5 milhões de euros até Junho de 2014, mais 22% do que mesmo período do ano anterior. “As consequências directas desta situação deverão mostrar um 2.º semestre em nada semelhante ao 1.º semestre”, indica o documento.

As negociações do BESI foram lideradas por Eduardo Stock da Cunha, que chegou a receber manifestações de interesse de diversos grupos do Médio Oriente. Estes investidores já eram o principal alvo de José Maria Ricciardi quando, que durante a 'guerra de poder' contra o primo Ricardo Salgado anunciou publicamente a intenção de autonomizar o BESI, separando a banca de investimento da comercial.

A precipitação de acontecimentos no banco inviabilizou o plano de Ricciardi, que ficou condicionado às decisões e estratégia do seu novo accionista único, o Novo Banco. 

Ainda assim, o BESI “iniciou um processo de reflexão sobre a sua estratégia futura, com o objectivo de potenciar a rentabilidade sustentada das suas operações adaptadas ao novo contexto”, adianta o relatório.

O BESI tem cerca de 825 colaboradores, 254 dos quais em Portugal. Nos últimos anos desenvolveu uma estratégia de crescente expansão da actividade internacional.

sandra.a.simoes@sol.pt