Cultura

A playlist de Alexandra Ho* #6

A idade adulta já se instalou há muito, já não tenho as paredes do quarto forradas com imagens de ídolos da adolescência, mas há um poster emoldurado que resiste em minha casa e serve de cartão de boas-vindas a quem me visita, informando-os logo ao que vêm. Na pele de Aladdin Sane, anuncia-se no cartaz: “David Bowie Is Here”. 

Descobri verdadeiramente Bowie por causa dos Nirvana. Tinha uns 15 anos quando ouvi Kurt Cobain cantar “The Man Who Sold The World” e lembro-me de ficar surpreendida quando uma amiga me contou que o original era de Bowie, um artista que só conhecia por ‘Let’s Dance’ e ‘Modern Love’, canções que não comunicavam com as dores de crescimento habituais da adolescência. 

Mas foi a vasculhar a obra antiga de Bowie, graças à discografia dos pais dessa amiga, que descobri um amor eterno. Goste-se ou não, Bowie definiu e eternizou a mais marcante visão da cultura pop. Ainda hoje, 50 anos depois da estreia em 1964, no único single que editou como Davie Jones, Bowie continua a ser o mais importante ícone vivo da história da música, aquele que nos ensinou a sonhar, a arriscar, a reinventar, a encontrar na arte uma escapatória... 

Para assinalar as bodas de ouro, chega agora às lojas a antologia “Nothing Has Changed”, com dois inéditos e alguns temas perdidos nunca antes editados em disco. A playlist de hoje é, por isso, dedicada ao meu artista preferido de todos os tempos, reunindo as novidades da compilação mais completa até à data de Bowie e alguns dos temas essenciais da obra de Mr. David Robert Jones. 

alexandra.ho@sol.pt 

* Alexandra Ho é a jornalista que trata temas de música no SOL. À sexta-feira apresenta uma banda-sonora para o fim-de-semana, para ouvir as vezes que apetecer.