Politica

Macedo na 1ª linha da sucessão

Miguel Macedo voltou hoje ao Parlamento. Mas o primeiro dia da nova vida política do ex-ministro pode vir a ser um passo para voos mais ambiciosos. A demissão ter-lhe-á valido capital político suficiente para ganhar um lugar de destaque na grelha de partida da lista dos potenciais candidatos à sucessão de Passos Coelho.

“Tudo depende de como evoluir este caso. Se não houver indícios que o envolvam directamente no caso dos vistos gold, saiu em grande e salvaguardou o seu futuro político”, comenta um deputado do PSD, que vê em Miguel Macedo capacidades oratórias suficientes para brilhar no hemiciclo. “Pode ser uma arma de peso para a bancada, sobretudo na resposta a deputados socialistas de estilo mais aguerrido, como Ana Catarina Mendes ou Pedro Nuno Santos”.

No PSD, admite-se que Miguel Macedo sai deste episódio com a “credibilidade política reforçada” e é-lhe reconhecido o relevante currículo político “a nível parlamentar, partidário e governativo”, nas palavras de um dirigente social-democrata.

Com a demissão, Miguel Macedo distanciou-se do Governo, ganhou credibilidade e marcou pontos externamente até com elogios vindos da oposição. E passou a figurar entre os primeiros de vários nomes que se posicionam para a liderança do partido na era pós-Passos - como Aguiar-Branco, Luís Montenegro, Marco António Costa e Jorge Moreira da Silva.

Neste grupo, Aguiar-Branco tem dado que falar no partido, pela sua agenda própria, com um ciclo de conferências sobre o sistema político e sobre o papel do Estado, entre outras iniciativas.

Luís Montenegro, líder da bancada social-democrata, não antecipa qual poderá ser o papel de Macedo no Parlamento, mas não poupa elogios ao ex-ministro: “É um quadro político de inegável valor. Tem qualidades excepcionais e muita experiência”.

Há, contudo, quem seja mais cauteloso nas previsões sobre o futuro de Macedo na política e alerte para os estragos que as notícias sobre alegados casos de corrupção entre pessoas das suas relações próximas terão na imagem do ex-ministro.

 Rui Rio, já visto como o eterno candidato à liderança do partido, e a ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que tem vindo a revelar-se uma surpresa para muitos e a ganhar peso político, são considerados reservas para uma fase posterior.

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