Politica

Catarina Martins: 'Negócios de gabinete não adiantam nada ao país'

Ter uma secretaria de Estado num governo do PS não interessa, diz a coordenadora do BE, criticando os que, como Rui Tavares e Ana Drago, querem ser “o CDS à esquerda”.


Teme o efeito, nas próximas legislativas, da plataforma eleitoral de Rui Tavares e Ana Drago?

Nada é desvalorizável. Mas há quem considere que tudo o que é necessário é trocar o PSD e o CDS pelo PS, com alguém que faça o papel de CDS à esquerda. Engana-se quem acha que pode ir para um gabinete de uma secretaria de Estado do PS fazer a mudança de que o país precisa, assumindo o alinhamento europeu igual ao que a direita assumiu até agora. Negócios de gabinete não adiantam nada ao país.

O BE queria liderar uma “esquerda grande”. Não perdeu a ambição para o Livre?

A partir do momento em que o Livre entra no discurso 'o meu rotativismo é melhor que o teu', que 'vale mais ver um PS aliado ao Livre do que um PS aliado ao PSD ou ao CDS', deixa de fazer parte desse pólo alternativo.

O BE vai sozinho a eleições?

Vai apresentar-se e fará uma aliança com vários sectores da sociedade.

Afasta uma coligação com o PCP?

Este cenário não está a ser debatido. Nem o BE é suficiente para ser uma alternativa, nem o PCP é uma alternativa sozinho e os dois não são detentores da alternativa. Para haver alternativa a um governo PS ou de Bloco Central, é preciso o levantamento de uma cidadania, movimentos sociais mais fortes e partidos a dizer que o país só recupera meios financeiros e capacidade de decisão se reestruturar a dívida e rasgar o Tratado Orçamental.

O 'Podemos' e o Syriza inspiram o BE?

O 'Podemos' tem uma mobilização social que quem nos dera a nós haver em Portugal. Além disso, tal com o Syriza na Grécia, o 'Podemos' não cresceu dizendo 'agora vamos dar uma mãozinha ao rotativismo' ou 'vamos efectivar os direitos já conquistados'.

ricardo.rego@sol.pt

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