Politica

Louçã: 'Esta divisão é uma prova de imaturidade. Isso não se faz'

Francisco Louçã surgiu irritado aos delegados da IX Convenção do BE. O ex-líder dos bloquistas foi categórico na crítica a Pedro Filipe Soares, a Luís Fazenda e à UDP, uma das três correntes fundadoras do partido que não apoia a actual direcção de Catarina Martins e de João Semedo, que tenta a reeleição.

"O partido que sabe o seu nome reconhece os seus erros. Não houve maior irresponsabilidade do que a divisão da direcção. Esta divisão é uma prova de imaturidade. Isso não se faz", começou por dizer Louçã logo na abertura da sua intervenção, uma das mais aguardadas do primeiro dia de conclave bloquista.

Depois do desabafo, o ex-coordenador desafiou o partido a pensar na sua foral a no que está disposto a fazer pelos portugueses. "O país quer uma resposta para a única pergunta que interessa: o que é que aqui estamos dispostos a fazer por Portugal, pelo povo que trabalha?".

"O BE já fez muito mas ainda não fez o suficiente", notou, para acrescentar que "não desistimos de combater o monstro europeu e a prisão do Tratado Europeu". E acrescentou: "Falta uma esquerda unida que seja a voz do povo que luta". 

Louçã sinalizou que o BE tem de "disputar os 20% do eleitorado para ser a alternativa que conta", face a um PS "medroso, vendedor de ilusões e de chapéu estendido para Bruxelas". "É preciso irreverência, mas irreverência é uma atitude, vai e vem. O que precisamos é de paixão, a que nos levou de Braga a Lisboa a pé na marcha do desemprego. Essa paixão eu sei que está aqui", reconheceu.

Sobre o futuro, Louçã, que não é candidato a nenhuma lista à Mesa Nacional, garantiu que vai continuar "disponível para tudo o que precisem", como "militante de base do sector da Segurança Social de Lisboa". 

ricardo.rego@sol.pt