Politica

PSD põe governador do Banco de Portugal em xeque

O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Carlos Abreu Amorim fez hoje fortes críticas à actuação do governador do Banco de Portugal (BdP) no caso BES, depois de um jurista de Coimbra ter enviado à Assembleia da República um esclarecimento que põe em causa as declarações de Carlos Costa na semana passada.

O governador esteve na Comissão de Inquérito à gestão do BES e admitiu que gostaria de ter afastado Ricardo Salgado mais cedo, retirando-lhe a idoneidade, mas que estava impedido por lei. Carlos Costa invocou a jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo e pareceres de três juristas de Coimbra.

Um deles, Pedro Maia, enviou esta semana um esclarecimento à comissão de inquérito, onde clarifica o seu parecer e alega exactamente o oposto do que disse Carlos Costa: o BdP poderia ter afastado mais cedo Ricardo Salgado.

Perante esta exposição, Carlos Abreu Amorim considera “muito grave” a actuação do BdP, que “não fez uma boa e uma ajustada interpretação do regime jurídico”. “O grupo parlamentar do PSD tem a percepção e faz a interpretação jurídica de que o banco de Portugal possui os poderes necessários e bastantes para que fosse tirado em devido tempo a idoneidade aos administradores do grupo BES e do GES”, disse.

Para o vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata, é “bastante grave que o governador e o vice-governador do banco de Portugal tenham assente e conformado toda a sua actuação ao longo de a ultima parte de 2013 e de grande parte de 2014 numa interpretação da lei que nos parece tanto restritiva e que tenham alegado factos que segundo apuramos até agora não são factos verdadeiros - aliás são exactamente desconformes à vontade dos autores dos pareceres”.

O grupo parlamentar do PSD decidiu chamar Pedro Maia à comissão e Carlos Costa vai ser de novo ser ouvido.  “Não é uma divergência qualquer. O que está em causa é saber se o BdP podia ou não afastar em devido tempo os administradores do BES antes mesmo de serem praticados actos que lesaram de uma forma bastante grave o banco. Não podemos ficar com duas versões completamente contraditórias sobre o mesmo facto”.

ricardo.rego@sol.pt