Internacional

Multiplicam-se protestos solidários com Michael Brown

A pequena comunidade de Ferguson, com cerca de 21 mil habitantes maioritariamente negros, esperou três meses por justiça – mas o que ouviu do procurador Robert McCulloch derrubou a esperança e acicatou a revolta. Ao anúncio de que o polícia branco que em Agosto matou a tiro um adolescente negro não iria ser julgado, os habitantes do subúrbio de Saint Louis foram para a rua, incendiaram carros, saquearam lojas. As manifestações multiplicaram-se pelo resto dos Estados Unidos, mas foram sobretudo pacíficas. Desde segunda-feira, mais de 170 cidades norte-americanas juntaram-se ao protesto.

De Washington a Los Angeles, de Nova Iorque a Denver, passando por Chicago, Boston, Atlanta (berço do activista pelos direitos civis dos afro-americanos Martin Luther King), Filadélfia, milhares de pessoas deram voz à sua indignação sobre a decisão do grande júri, composto por nove cidadãos brancos e três negros, de não acusar o polícia Darren Wilson pela morte de Michael Brown. “Não nos deram justiça. Não lhes daremos paz”, grita-se nas ruas.
 
Após ouvir mais de 60 testemunhas e três médicos-legistas, o grande júri não encontrou “causa provável”, segundo o procurador de Saint Louis explicou,  para acusar o polícia de 28 anos. Robert McCulloch tornou também públicas centenas de páginas com as transcrições das testemunhas, confirmando as versões contraditórias de momentos-chave no encontro entre Michael Brown e Darren Wilson – a luta corpo-a-corpo entre o rapaz de 18 anos e o agente, a fuga do afro-americano, os disparos do polícia.

O agente, destacado em Ferguson há seis anos, deu uma entrevista à ABC News em que se diz “de consciência tranquila”, reafirmando que não faria nada de diferente porque a sua vida estava a ser ameaçada. Wilson – que vai abandonar a Polícia e disse desejar “uma vida normal” – negou que Brown se tivesse rendido e estivesse de braços no ar quando foi alvejado. A mãe do adolescente reagiu noutra entrevista: “Não acredito numa palavra”.  Como ela, milhares de pessoas pela América fora.

ana.c.camara@sol.pt