Sociedade

Estudo alerta: os enfermeiros são os funcionários públicos mais mal pagos

Se compararmos salários com o nível de formação exigido para o exercício da profissão, os enfermeiros são os profissionais mais mal pagos do sector público. A conclusão é da historiadora Raquel Varela, coordenadora do Grupo de Estudos do Trabalho da Universidade Nova de Lisboa, num artigo publicado na revista especializada daquele grupo profissional, Enfermagem e o Cidadão.

Além das remunerações abaixo da média, os enfermeiros estão ameaçados com a volubilidade das leis laborais. As relações de trabalho já não são o que eram: tal como noutros sectores profissionais, a precarização parece começar a ser regra, acentua a investigadora no referido artigo, citado por um comunicado da Ordem dos Enfermeiros, com profissionais despedidos para serem readmitidos como trabalhadores precários, o que lhes degrada a remuneração e a estabilidade laboral. Passam, nestes casos, “a ganhar em média 30 a 40 por cento menos” de salário.

A degradação profissional acentua-se, ainda, com o aumento dos turnos com horas extraordinárias para se evitar a contratação de novos profissionais. As poupanças a este nível são ineficazes, alerta a Ordem, citando a historiadora – “Os exemplos de investir em cuidados de enfermagem são quase infinitos. E todos eles acarretam melhores condições laborais para os enfermeiros, melhores cuidados de saúde para a população e gestão mais eficiente dos orçamentos públicos de saúde”, diz, e adverte ainda para os riscos da subcontratação e dos serviços privados dentro do Sistema Nacional de Saúde, que “têm criado simultaneamente menos produtividade e mais lucro – tudo à custa dos salários dos profissionais de saúde”.

ricardo.nabais@sol.pt