Politica

Isabel Moreira: 'A teoria da cabala não se colocará no Congresso do PS'

A deputada diz que não faz sentido “fazer a vitimização” do PS por causa de Sócrates. Sobre o processo das subvenções dos políticos reconhece que deixou uma “má imagem” do partido.

Isabel Moreira, deputada do PS Helena Garcia

Qual é a sua expectativa para o seu primeiro Congresso como militante do PS?

Vou com a expectativa de participar no desenho de uma estratégia para o PS e para o país. E com uma alegria enorme de ver eleito António Costa, que eu apoiei desde o início, e me parece o homem certo no momento certo.

António Costa tem de ser um génio para ganhar eleições com o processo de Sócrates às costas?

Acho essa frase de Marcelo Rebelo de Sousa absolutamente lamentável.

Mas há um caso judicial com implicações políticas óbvias.

Seria hipócrita se não reconhecesse que este caso foi um abalo grande. Mas António Costa, na sua primeiríssima reacção, demonstrou como tem a estatura para ser o nosso próximo primeiro-ministro. Teve a reacção correcta e de homem de Estado, separando as águas entre a Justiça e a política. Não é o PS que está envolvido neste caso judicial. Isso tem de ficar claríssimo. A nossa obrigação é apresentar uma proposta alternativa à deste Governo, que em menos de quatro anos deixou o país pior.

Espera que Costa faça um 'cordão sanitário' à volta dos socráticos, ao escolher a nova direcção do PS?

Essa é uma expressão que tem um autor de má memória e faz-me impressão vê-la de volta. Acho brutal falar-se em atitudes sanitárias e não adiro a essa linguagem. António Costa deve ter uma equipa competente, actuante, confiável. E ele é conhecido por saber formar equipas. Não preciso de dar-lhe conselhos.

Costa separou a política dos sentimentos, no caso Sócrates. Será suficiente para evitar expressões de vitimização no Congresso do PS?

Não me passa pela cabeça fazer a vitimização do PS. E penso que a teoria da cabala não se colocará no Congresso. O país está divorciado da direita e o PS tem a obrigação histórica de se centrar no país, que está devastado. É essa atitude que terei ao Congresso.

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manuel.a.magalhaes@sol.pt