Cultura

Clint Eastwood e Bradley Cooper juntam-se em American Sniper [veja aqui o trailer]

É uma das mais antecipadas estreias cinematográficas do início do ano. Aos 84 anos, Clint Eastwood continua a trabalhar a um ritmo alucinante e, depois de estrear Jersey Boys em Setembro, prepara-se para regressar às salas com American Sniper que, protagonizado por Bradley Cooper, narra a história do fuzileiro Chris Kyle, o mais letal dos snipers norte-americanos, que regressa do Iraque assombrado pelos fantasmas das pessoas que matou. 

Baseado na história verídica do soldado americano, cuja missão no Iraque passava por proteger os demais soldados norte-americanos, e que, entre 2003 e 2009, foi responsável pela morte de 150 pessoas, o filme promete ser um sucesso de bilheteiras, não só nos EUA como no resto do mundo.

E Bradley Cooper talvez tenha aqui o grande papel da sua carreira até à data. A Vanity Fair dedica-lhe a capa da sua edição de Janeiro tendo já avançado já excertos da entrevista que irá publicar. Nela, o actor revela que, para ganhar a massa muscular necessária para interpretar a personagem (cerca de 15 quilos de músculo) teve que optar entre fazê-lo apenas com exercício ou recorrendo a químicos. E que, uma vez que está sóbrio há dez anos, depois de ter tido um passado turbulento de álcool e drogas, decidiu fazê-lo apenas recorrendo ao ginásio.

«Ele constrói uma personagem tão estóica e, depois, começa a destruí-la com apenas um olhar, um esgar», revela o argumentista, Jason Hall, ao Wall Street Journal. «De repente, está num bar a afogar as mágoas num copo de cerveja e não pode ir para casa». E, claro, dificilmente poderia existir alguém melhor para dirigir o actor que Clint Eastwood que, quer como actor, quer como realizador, tem uma enorme experiência no que toca a personagens masculinas, bad boys cujos princípios, ao mesmo tempo que fazem dele só que são e lhes dão força, os isolam do resto do mundo. «Ele percebe como ninguém a masculinidade e a ideia do cowboy americano», assegura o argumentista. «Percebe o sacrifício da personagem e do que teria de abdicar para fazer o seu trabalho».

E não é apenas de durões que Eastwood percebe. O realizador já provado saber filmar a guerra como ninguém (recordem-se os belíssimos As Bandeiras dos Nossos Pais e Cartas de Iwo Jima).

Por tudo isto, é com muita antecipação que o filme é esperado. Nos EUA a estreia acontece a 25 de Dezembro. Não será o mais natalício dos filmes. Mas levará muitos dos que estão saturados de contos de fadas, musicais e comédias românticas ao cinema. E é para esse público adulto que Eastwood filma.  

rita.s.freire@sol.pt