Vida

O pianista prodígio de dez anos

A primeira peça que apresentou ao público e aos milhares de telespectadores, foi uma vibrante interpretação - com um toque de heavy metal - de 'O Voo do Moscardo' de Rimsky-Korsakov, que exigiu o martelar das teclas do piano.

Quando Howard Stern exprimiu algumas dúvidas, Adrian ofereceu-se prontamente para tocar uma valsa de Chopin, o que fez de forma muito expressiva. Este talento e versatilidade viriam a colocá-lo na fase seguinte com quatro 'sins'.

“Nós já temos máquinas no mundo. Precisamos de mais emoções. Quando eu toco piano expresso os meus sentimentos ao público. É por isso que nunca existirá um robô pianista”, disse Adrian na entrevista que antecede a audição.

Recentemente, o menino prestou provas na Julliard School, uma das mais prestigiadas escolas de músicas e artes cénicas localizada em Nova Iorque - e entrou. “Ele preparou as peças sozinho”, disse a mãe, Olga Romoff, ao Pittsburgh Post-Gazette. “Quando ele foi aceite gritámos durante horas”.

Os interesses de Adrian não se limitam à música. “Tenho outro talento. Também sou muito bom a ciências. Mas não se pode ser médico aos cinco anos, pois não? No entanto, pode-se ser músico”. A impossibilidade de ser cientista em tão tenra idade não o desanima, tendo construído o seu próprio laboratório em casa, onde faz “experiências químicas e com electricidade”.

“Não temos televisão em casa, mas temos livros. Ele construiu o seu próprio laboratório e aprende tudo através do computador”, explicou a mãe na citada entrevista.

O interesse pela música começou a manifestar-se de forma precoce. Aos dois anos Adrian começou a interessar-se por instrumentos de cordas, e iniciou-se no piano aos quatro. Ao contrário de muitas crianças, as visitas a lojas de brinquedos serviam para adquirir pianos e outros instrumentos de plástico. Começou por tocar músicas infantis “de ouvido”, “sem ninguém lhe ter ensinado”. A partir desse momento, foi aprendendo de forma autodidacta sob o olhar atento da sua mãe, professora de violino. 

Pratica piano seis horas por dia e tentou ter aulas com professores particulares, que não foram bem sucedidas. “De certa forma o Adrian aprendeu praticamente tudo sozinho”. O pequeno prodígio musical deu o primeiro concerto aos cinco anos e, desde então, tem tocado em inúmeros recitais e participado em vários concursos.

Em Dezembro de 2011 arrecadou o primeiro prémio numa competição de talentos internacional no Carnegie Hall, uma das mais famosas salas de espectáculos de música clássica dos EUA. O reconhecimento levou-o a ser entrevistado no talkshow de Ellen Degeneres, pelo que a participação no America's Got Talent não foi a sua estreia no pequeno ecrã. 

Apesar dos seus talentos evidentes, a experiência no concurso televisivo durou dois meses, tendo sido eliminado nos quartos-de-final. Contudo, o programa deu-lhe notoriedade e lançou-o de Georgia, Atlanta, para o mundo: os seus vídeos no YouTube já chegaram a nove milhões de visualizações.

Estudante da Julliard School aos dez anos, Adrian ainda não sabe o que quer ser quando for grande. Apenas diz que tem “algumas escolhas a considerar”. Uma delas é ser pianista. Outra é mais ambiciosa: “Também gostava de ser presidente, e assim podia ser químico nos tempos livres”. 

simoneta.vicente@sol.pt

Adrian Romoff tinha apenas nove anos quando a NBC o escolheu para abrir a nona temporada do conceituado programa de talentos America's Got Talent. A cadeia de televisão sabia o que estava a fazer: o mais jovem concorrente demonstrou, desde o primeiro segundo da sua audição, que não é um menino comum. Vestido de fato, laço ao pescoço e óculos redondos, captou a atenção do painel dos jurados assim que revelou estar a frequentar o oitavo ano, tendo saltado cinco anos de escolaridade. Quando Heidi Klum lhe perguntou “És assim tão esperto?”, Adrian respondeu com assertividade peculiar: “Bem, de acordo com a realidade, sim”.