Sociedade

Donativos são prova no inquérito

Os donativos que José Sócrates e Carlos Santos Silva deram à campanha de António Costa durante as eleições primárias para a liderança do PS - revelados na semana passada pela revista Visão - integram o conjunto de provas recolhidas no processo da Operação Marquês. Na óptica da investigação, esses donativos e a forma como a sua entrega foi combinada por Sócrates são reveladoras de que o dinheiro acumulado nas contas bancárias em nome do amigo empresário lhe pertencem efectivamente.


O ex-líder socialista deu 2.000 euros e o empresário 10 mil euros. Segundo o director financeiro da campanha de António Costa, Agostinho Abade, citado pela Visão, a contribuição de Carlos Santos Silva foi dada «por indicação de Sócrates». Isto porque o ex-administrador do grupo Lena seria desconhecido da estrutura de campanha de Costa.

Segundo o SOL apurou, suspeita-se que tenha sido apenas Sócrates quem contribuiu para a campanha uma vez que a quantia em causa vinha da conta no BES em nome de Carlos Santos Silva, apontado como seu testa-de-ferro. Só depois de ter contactado telefonicamente Agostinho Abade é que o ex-primeiro-ministro ligou a Santos Silva a dar-lhe a ordem para passar um cheque ao respectivo director financeiro. Esta é, aliás, uma das várias ligações que a investigação estabeleceu para demonstrar que os 20 milhões de euros que Sócrates colocara numa offshore na Suíça na realidade lhe pertence.

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